Os Sete “Eu Sou”
Jesus falou sete vezes, “Eu Sou”. Veja como em cada “Eu Sou” ele lança mais luz da Revelação que nos leva à Salvação.
Reluz Queluzito
Projeto Reluz Queluzito realizado em janeiro de 2010. Minas Gerais. Cidade com menos de 2% de evangélicos. Participaram e assumiram os resultados a Comunidade Missionária Projeto Vida, de Conselheiro Lafaiete.
Ramos e Frutos
A vida em Cristo, como verdadeiro salvo nascido de novo, é totalmente diferente do que se vê por aí. Nosso enxerto na Videira Verdadeira – JESUS – se ocorreu de fato, irá mudar tudo em nossa vida. Confira se você realmente foi enxertado na Videira verdadeira.
A Lei da Perda Ganhada
Sermão sobre o Pricípio da Perda Vitoriosa, do ganho em se perder e da oportunidade nas adversidades. Como uma crise pode ser uma grande oportunidade de vitória!
O Esboço do sermão está no Comentário.
Deus na Intimidade
Conhecer a Deus não é crer nele, não é ser salvo, não é ter nascido de novo, não é ser cristão ou ser membro de uma igreja evangélica. Conhecer a Deus é mais do que isso, é Viver com Deus em Sua Intimidade. “…Conheçamos e prossigamos em conhecer ao Senhor”. Oseias 6:3, Conhecer a Deus é um crescendo!
Retrospectiva Missionaria 2009 – MOCOP
Campos missionarios trabalhados pela MOCOP, MVC e AMID em 2009. Missionarios para 2010 pelo departamento de missoes da MOCOP (Mount Olive Church of Plano, Texas, USA.
A Ética e o Princípio de Boa Vizinhança – A12
Uma vez decidido o campo no qual se vai trabalhar, a primeira tarefa fraternal seria o contato com os pastores que lá estão. Se for um campo virgem, a idéia é contactar pastores da região e possivelmente alguns que tenham interesse naquele campo. Por mais que as igrejas se degenerem sempre existirão aquelas que realmente têm visão bíblica e visão do Reino. Pastores e igrejas interessadas no campo em que você irá implantar uma igreja, muitas vezes podem se tornar parceiros e até facilitadores repassando os contatos previos e até indicando pessoas chaves ou crentes locais a espera de uma igreja em sua própria língua.
Caso o local já tenha uma ou mais igrejas de imigrantes brasileiros, o obreiro precisa visitar cada pastor local, ou quando já houver uma saturação de igrejas de imigrantes, visitar pelo menos os pastores da área em que se vá implantar a nova igreja. Nesse caso, o implantador deve ter bem claro em seu coração o porquê de sua decisão quanto ao local. Algumas perguntas devem ser feitas a si mesmo e respondidas com sinceridade, espiritualidade e submissão ao Espírito Santo:
- Deus está me direcionando para abrir uma nova igreja nessa região onde já existem outras igrejas brasileiras evangélicas de imigrantes?
- As igrejas dessa região não estão cumprindo o IDE ou não conseguem atingir a população alvo?
- As igrejas dessa região estão em apostasia? Suas doutrinas não refletem o evangelho de Cristo sem comprometimento?
- Estou aqui somente para abrir uma nova igreja de minha denominação?
- Esta região é estratégica para a expansão de nossa denominação ou visão missionária?
Estas e outras perguntas devem ser consideradas pelo obreiro e pela instituição enviadora, seja ela uma agência, uma junta missionária ou uma igreja local. Por esta razão, o exemplo bíblico de ser enviar espias, é muito proveitoso. Sempre antes de cada viagem missionária da Missão Volantes de Cristo, visitamos a região, pastores, pessoas influentes da comunidade enquanto estudamos as estatísticas e história locais. Temos poupado muita duplicação de esforços e até futuras possíveis confrontações por respeitarmos essas regras de ética e agirmos sempre com uma política de boa vizinhança.
A realidade porém do que vem acontecendo na Europa e Estados Unidos principalmente, é bem direfente. Salvo as excessões, grande parte das igrejas de estrangeiros vivem a convidar membros de outras igrejas “concorrentes”. Artimanhas como a realização de eventos, convite de cantores renomados, reuniões nos lares, reuniões de oração e até participação em grupos de dança e de música, têm servido para esse arrebanhamento. O termo “pescar em aquário” é tão real que algumas igrejas são formadas fundamentalmente por pessoas arrebanhadas de outros ministérios.
Entre outros exemplos catastróficos o da traição interna é o mais comum.
O pastor local ajuda um novo obreiro recém chegado ao país. Consegue para ele casa, escola para os filhos, documentação, e abre uma área de seu ministério para que ele continue a trabalhar na obra. O recém chegado obreiro se torna pastor dos jovens, ou líder de louvor, ou co-pastor, ou assume qualquer outro ofício que lhe dá acesso aos membros da igreja. Quando o número de pessoas envolvidas por este recém chegado obreiro é suficiente, segundo sua estratégia, ele dá o golpe e divide a igreja. Geralmente ele começa a minar a fidelidade dos membros mais rebeldes e descontentes com o pastor local. Às vezes, nem pastor ordenado ele é, mas isso ele mesmo resolve com uma ordenação por outros pastores locais, talvez interessados no possível desmoronamento da igreja local daquele pastor que ajudara o obreiro, pois se uma igreja de desfaz, acaba sobrando crente para as outras.
Esse golpe tem destruido igrejas, trazido vergonha ao Reino e cauterizado os corações de muitos cristãos no estrangeiro por verem essa estratégia satânica acontecer inúmeras vezes em suas regiões. Como foi comum ao povo brasileiro se esquecer das falcatruas de políticos pernósticos e na próxima eleição votarem mais uma vez neles, os crentes de caráter dúbio fazem o mesmo e acham até comum o aparecimento de uma nova igreja através da destruição ou divisão de outra.
Outra artimanha anti-ética é se programar um evento no mesmo dia e na mesma hora em que a igreja vizinha realizará o seu. Assim fazendo, os membros daquela igreja estarão ocupados com os próprios programas e não serão expostos a outros ministérios que, segundo muitos pastores, ëstão de olho” em suas ovelhas. Como esse universo eclesiástico brasileiro no estrangeiro está se tornando mais e mais selvagem, a idéia é fechar as portas para qualquer comunhão entre igrejas “rivais” para que aquela não roube os membros dessa. Que tristeza se viver e trabalhar para o Senhor em um ambiente assim. Graças a Deus sempre existirão aquelas que continuam vivendo nos padrões bíblicos e comungam entre si. O cenário mais caótico é quando os líderes evangélicos de uma região criam um Conselho de Pastores, presumivelmente para terem comunhão e unidos lutarem contra as trevas, e o tal “Conselho” acaba servindo para política e famosas “panelinhas”.
Longe de ser pessimista, trago esses exemplos que me reservo em não revelar os “santos”, para alertar àqueles que ainda não se contaminaram com profissionalismo de competição e emulação eclesiástica. Deus é aquele que acrescenta seus verdadeiros filhos e filhas à igreja implantada. Até o apóstolo Paulo cita todas essas outras intenções e conflitos de interesse, mas arremata, “se Cristo está sendo pregado”, Deus se glorifica na eficácia da salvaçào oferecida. Quando encontramos verdadeiros pastores, e não colecionadores de crentes, nosso coração exulta de gozo pois percebemos o sobrenatural em ação, a visão do Ide em evolução e as vidas do cristãos locais em harmonia com Deus, com aqueles de outras igrejas e principalmente consigo mesmos, vivendo em novidade de vida e “expressando a glória do Senhor”, como diz a canção do Asaph Borba.
Dei Gratia!
Implantando uma Igreja no Exterior – A11
A ideia de se implantar uma igreja no estrangeiro para comungar os imigrantes do país do pastor é bem antiga. Quando Israel saiu para cativeiro ou em diáspora, para lá também foram líderes religiosos. As sinagogas, inclusive em tempos hodiernos, são a resposta a essa demanda. Comunidades americanas emigrantes, iniciaram igrejas evangélicas onde o culto era em inglês.
Quando um pastor ou missionário vai a um campo estrangeiro onde existe uma concentração razoavel de pessoas de sua própria terra, sua visão pode ser: 1) Alcançar os habitantes daquele país ou região, ou seja, um trabalho genuinamente transcultural. 2) Alcançar os imigrantes de seu país de origem. 3) Alcançar imigrantes de outros países, o que seria também um ministério transcultural. 4) Trabalho mixto, onde o alcance dos imigrantes de seu próprio país geralmente se torna a base para as outras investidas evangelísticas ou missionárias.
Mais Uma Igreja
O planejamento de se implantar uma nova igreja deve ser coerente com a Palavra de Deus e contextualmente correto. O apóstolo Paulo disse que se esforçava para “anunciar o evangelho, não onde Cristo houvera sido nomeado, para não edificar sobre fundamento alheio; antes, como está escrito: Aqueles a quem não foi anunciado, o verão; e os que não ouviram, entenderão” (Rm 15:20-21). A partir do século XVII, com a presença mais efetiva das denominações, tornou-se hábito se implantar uma nova igreja, de sua própria denominação, em locais onde a tal denominação não estivesse ainda representada. Assim, em uma cidade de tamanho médio, se encontraria campo para a implantação de várias igrejas evangélicas, porém de denominações diferentes. O argumento era apologético e estratégico para a proliferação e crescimento da denominação que resultava em maior divulgação de sua doutrina, obviamente considerada pela denominação a mais pura e correta. O próximo passo foi a implantação de novas igrejas da mesma denominação em uma região, usualmente pelo crescimento dos pontos de pregação que se tornavam congregações e por fim eram emancipadas em igrejas locais. Daí, apareceram a primeira, segunda, terceira Igreja Batista, ou nomes que diferenciavam uma das outras como Igreja Presbiteriana da Lagoa, Igreja Assembleia de Deus do Morumbi. Se a divisão até então era vista do ponto de vista doutrinário, desembocando nas divisões denominacionais, a partir do século XX, novas divisões apareceram. A Igreja Presbiteriana do Brasil e a Igreja Presbiteriana Independente, são um exemplo. Sua doutrina bíblica é praticamente a mesma. A grande diferença se encontrava na aceitação ou não de pastores se filiarem à Maçonaria. Por isso, desde então, começaram a aparecer igrejas presbiterianas pertencentes à denominação IPB e outras à IPI. A divisão continuou quando muitas denominações experimentaram o confronto entre a ala conservacionista e ortodoxa e a renovadora com características pentecostais. Nesta fase, se proliferaram as subdivisões denominacionais. Com a chegada das igrejas neo-pentecostais e carismáticas, houve uma esponenciação de nomes, doutrinas, costumes, liturgias, ênfases, e visões de crescimento. Hoje, fica difícil se propor um parâmetro justo para a decisão de se implantar uma nova igreja, pois, pela herança recebida das denominações, é histórico se abrir uma nova igreja em local onde a sua própria denominação não tem representatividade.
Cabe agora ao obreiro, à agência missionária, à junta denominacional de missões, ou à igreja local enviadora, lapidar a visão e escolher o campo.
Nos Estados Unidos, Europa e Japão, e também em outras regiões, os pastores que resolvem iniciar um trabalho com imigrantes, poderiam ser divididos em dois grupos: aqueles que são pioneiros na região e os que vieram depois. Os primeiros realmente têm mais base bíblica para a implantação de uma igreja de imigrantes. Os que iniciam novas igrejas em pequenas comunidades onde já existam outras igrejas evangélicas entre os imigrantes, acabam também convivendo com aqueles que abrem uma igreja por motivos financeiros e têm conflitos de interesse. Há lugares na Flórida e na região da Nova Inglaterra – nordeste dos Estados Unidos – onde se pode encontrar sete a oito igrejas brasileiras na mesma rua. Na grande parte são igrejas pequenas não missionárias. O que é isso? A escolha do local para se implantar a nova igreja deve obedecer ao IDE de Jesus, e levar em conta que se abrir um igreja ao lado da outra, que também já está do lado de outra, tem algo de muito estranho na visão.
Desde o tempo em que a Missão Volantes de Cristo foi criada, em 1978, tenho zelado pela visão de igrejas pioneiras. Creio que um projeto sério de implantação de igrejas deve levar em conta a possibilidade do desbravamento, muitas vezes requerendo um pouco mais de esforço, mas demonstrando visão missionária e obediência que juntas expressam o motivo correto.
Resumindo, procure implantar igrejas onde você não venha concorrer com outros missionários, não venha dividir o campo. Nunca inicie uma igreja arrebanhando pessoas de uma igreja local que está alí há mais tempo. Procure locais onde não existam igrejas evangélicas para o povo que você vai alcançar. Se por ventura, sua agência missionária, estratégicamente precisa iniciar um trabalho onde outros já estão, faça-o em harmonia e unidade. Uma casa dividida não pode prevalecer. Ajude a ajuntar. Jamais espalhe.
Desabafo Missionário – A10
“Amados.
Que a doce Paz de nosso Jesus, esteja com todos vocês.
Está se aproximando um final de ano a mais no Campo Missionário. Faz 3 ½ que estamos no Chile, fazendo a obra do Senhor. Neste período, descobrimos verdadeiramente o agir de Deus. Se foram as emoções dos Congresos de Missões, dos Cultos Missionários, das Manhãs Pentencostais Missionárias, dos Cultos com trajes e comidas típicas, e veio a realidade do Campo Missionário. Algo que só vai sentir quem já viveu esta indescritível experiência. Nos sentimos “chilenos” em tão pouco tempo! Mais parece que já vivemos aquí há anos.
É um país difícil para o Evangelho onde a credibilidade ministerial está no chão. Ser pastor no Chile é servir de “escândalo”; ser pastor no Chile é ser adúltero, ladrão, corrupto, enfim, é ser um aproveitador a mais. O Chile, é considerado o país mais preconceituoso de América do Sul. É um país com extratificação de classes sociais, é um país caríssimo de se viver. Se paga a educação municipalizada, a saúde, não é um país industrializado, razão de estar entre o segundo e terceiro país mais caro da América Latina para se viver. Todas estas realidades eu não entendia. Confesso que cheguei no campo cheio de ideais e emoções, animado, mas depois de três mêses neste país meu desejo era voltar para minha pátria. Além do mais, é um país geladíssimo e sísmico, onde o útlimo tremor de terra que tivemos em Santiago, há um mês atrás, foi de 5,6 graus. Tudo isto, por mais simples que pareça, se não tivéssemos uma chamada verdadeira e não estivéssemos convictos do que Deus quería fazer com nossa família, já teríamos voltado ao Brasil.
Viva o Brasil”!
Superamos dificuldades que ainda não aceitamos, mais as superamos. Passamos fome, vi meu filho desmaiar de fome, vivemos necessidades terríveis. Para que os amados tenham uma idéia, faz anos que minha familia não faz um “check-up” médico. Neste período que estamos aquí, nossa vida tem sido um grande milagre. Relatar tudo que vivemos, é imposível, porque o dia a dia no Campo Missionário não é como muitos aficionados por missões pensam. Missões não é só evangelismo, pregar, expulsar demônios, falar de Jesus a todo tempo. Não. Missões também é vida emocional, psicológica, pagar aluguel, manter sua família, ter falta de medicamento, falta de roupa e calçado, falta de um gabinete pastoral. O missionário só dá e não recebe por anos, e ainda para muitos, é tido como turista. A maioria das igrejas que enviam um missionário ao campo, não cuida dos mesmos como se deveria cuidar. Exige relatórios, relatórios e relatórios, mais se esquecem das necesidades básicas do missionário. Não se comunicam, nenhuma carta, nenhum email, nenhum telefonema. As esposas dos pastores não se comunicam com as esposas do missionário, os filhos dos pastores não se comunicam com os filhos dos missionários, enfim, definitivamente o missionário foi chamado para sofrer, e se não sofrer como se deve sofrer, não é missionário. Missionário que é missionário, tem que passar fome, necesidades. Deus tem que curar suas enfermidades, fazer aparecer dinheiro no chão, na rua, no guarda-roupa, etc. E melhor ainda, de visita ao Brasil, tem que contar tudo isto. Como me falou um Secretário de Missões em visita ao Chile, “você está no deserto de Deus, na escola de Deus”. É verdade, nesta frase vejo a limitação dos nossos agentes missionários, completamente leigos sobre o tema.
Hoje, depois deste período, eu sei em quem tenho crido. Falo como Jó: “antes eu conhecía a Deus só de ouvir falar, mais hoje, os meus olhos o contemplam”. Hoje eu sei o que é fé, sei o que é evangelho, sei o que é pregar e ter resultados, e não ser um “profissional de púlpitos” como está cheio no Brasil. Pregações como “Sete Tópicos de um Gideäo Missionário” não passam de falácias desconhecidas do tema.
Sou missionário e me orgullo de ser. Nesta carta quero agradecer a três homens de Deus que acreditaram em mim, no “Proyecto Chile”. Ao meu pastor presidente Josias Martins, MSF – Angra dos Reis, RJ, ao meu amigo pastor Manassés Brito, AD Campinho – Jacarepaguá, RJ, e a um amigo em particular, pastor Julio B. Pinto, dos Estados Unidos. As conquistas aqui no Chile devo ao apoio que tenho e tive em momentos cruciais, como foi a ajuda do Pr. Julio Barcellos Pinto no ano de 2004 aqui no Chile.
Falar do Pr. Manassés, este grande homem de Deus, é recordar o que ficou gravado nos corações dos nossos primeiros membros aquí no Chile. A chegada daquela comitiva deu uma arrancada na obra missionária. Mais que isto, serviu de exemplo para mim, minha familia (esposa e filhos), e novos membros da recém-formada igreja. Um homem com o êxito que tem no Brasil e no exterior, transmitir tanta simplicidade, humildade, amor com a minha familia e com a obra missionária, foi incrível! Supriu minha casa com itens importantes, meus filhos com utensílios escolares, enfim, marcou nossas vidas. Temos uma saudade incrível dessa comitiva. O ímpeto para evangelismo, o culto realizado na garagem da nossa casa, a investida do diabo contra ele, sua esposa e contra os pastores Bernardino e Edmilson, foram experiências marcantes para o crecimento do trabalho aqui no Chile. Os amamos muito e sentimos muitas saudades.
Pastor Julio Pinto foi um amigo enviado por Deus em um momento de muita angústia, quando estávamos desesperados e vivendo nossa maior crise no campo missionário. Este grande homem de Deus, que ainda não conheço pessoalmente, mais irei conhecer logo, para abraçá-lo com a minha família, me ajudou com orações, conselhos via email, e financieramente, quando o meu filho desmaiou de fome por duas vezes. Tenho uma estima muito grande por este servo de Deus, e um día, creio que não muito distante, Deus me proporcionará conhecê-lo.
Meu pastor presidente… é um pai para mím e minha familia. Pastor Josías investiu no meu ministério sem me conhecer. Me abriu os braços e me acolheu, juntamente com minha esposa e filhos, em um momento super difícil, e até hoje me mantem no campo missionário. Abraçou o “Proyecto Chile” sem ler, sem saber o que realmente era ou de que se tratava, simplesmente confiou em mim. Hoje, o resultado está aí! ¡Dios és fiel! O estimamos muito. Sempre terá meu respeito e total obediência.
Começamos com algunas famílias em uma casa, crecemos, agora estamos em um templo com mais de 120 pessoas congregando, fiéis, ajudadoras; fizemos dois batismos neste ano, formamos obreiros autóctones, conseguimos um Instituto Teológico, patrocinado pelo IBADEP – Instituto Teológico da Assembléia de Deus do Paraná, para nos apoiar nessa tarefa. Serão dois anos de ensino teológico. Estamos abrindo um núcleo de teología em Los Angeles, cidade no sul do Chile. O que Deus está fazendo conosco aqui é coisa grandiosa. Estamos propondo a compra de um terreno de 1.000 m² onde, no nome de Jesus, vamos construir e realizar o Projeto que Deus colocou em nosso coração para esta nação. No ano de 1986 Deus me chamou para o Chile. No ano 2000 ele reavivou esta chamada, e em 2001, pela primeira vez, no mês de julho, coloquei os meus pés no Chile. Em 2003 voltei com toda minha família depois de um pequeno período no Brasil, e aqui estamos até hoje. Temos um projeto em fase inicial. Creio que com a ajuda do nosso Deus vamos conseguir concluí-lo. Missões, aprendi que não se fazem com imediatismo, e sim se investindo tempo. Cada missionário está envolvido com o povo que Deus o deu. Missões não é algo rotativo, missões são inversão de tempo, é ter o obreiro ideal para a nação ideal. Por isso, antes de dizer que meu coração está nesta nação, tenho que analisar todos os aspectos que envolvem a obra missionária.
Está se aproximando mais um final de ano. Para nós no campo missionário, gera-se uma expectativa diferente. Por que? Já estamos acostumados a enviar cartas para pessoas que se comprometeram em nos ajudar, em sempre telefonar, enfim, estamos nós missionários já acostumados com esta “Emoção Missionária”. Mais mesmo assim, enviamos nossa Petição de Final de Ano. Não com histórias comovedoras, mais com o apêlo de que tenhamos, ao menos, um Natal digno, com alegría financeira para nossa familia. Afinal, temos filhos, e quem é pai de familia ou pastoreia igreja, sabe o quanto é difícil para nossos filhos, principalmente no campo missionário, longe do nosso país. Nossos filhos, têm o privilégio de conhecer outra nação, outra cultura, outros costumes, mais por outro lado, se privam de serem normais como os demais. Se privam de presentes nesta e em outras ocasiõs, se privam de uma roupa nova, ou um calçado novo, e de muitas outras coisas, porque, como muitos pensam, obra missionária é viver com com escassez, conceito de muitos, porém não bíblico, conforme Filipenses 4.10 e 3 João 2. ¡Que Dios te Bendiga! Orem por nossa família. Pr BJ e esposa RM, e filhos: R, F, M e J.
Dei Gratia!
A Procura do Campo Missionário – A9
Voltemos às possibilidades de implantação de uma igreja ou de um campo missionário no exterior.
5) O missionário resolve ir ao campo por conta própria.
É incrível a quantidade desses missionários. O processo pode surgir por ter sido negada a oportunidade de se ir através da igreja local, não ter as qualificações exigidas pela agência enviadora, traços específicos de personalidade, conflitos de interesse onde o intúito de se sair do Brasil, por diversas razões, inclusive a de segurança ou a financeira, se mistura ao chamado, rebeldia, egocentrismo, ignorância sobre o que é um campo missionário, imediatismo, grande amor pela obra de Deus, porém sem direção clara, ostracismo, disputa e emulação, insubmissão, incompreensão por parte da igreja local ou da agência enviadora, política, enfim, muitas podem ser as variáveis, mas o que acontece é que o missionário parte para o campo sem ter quem o tivesse enviado. Alguns, menos expostos, visitam diversas igreja e amigos, levantando o seu sustento e arregimentando intercessores. Outros, criam suas próprias missões e se enviam através delas. Em qualquer caso, quando o missionário sai por conta própria, fere o princípio bíblico do envio em Romanos 10:14-15. “Como pois invocarão aquele em quem não creram? e como crerão naquele de quem nada ouviram? e como ouvirão, se não há quem pregue? E como pregarão, se não forem enviados”? O Espírito Santo disse à igreja para se separar Barnabé e Paulo, e assim fazendo, eles os abençoaram e os enviaram. Nós caçamos em bando, como os leões, e não solitariamente como gatos. O mesmo espírito que acomete àqueles que querem viver uma vida cristã dissociada da igreja local, ataca esses missionários. Nesses casos, quase sempre, a escolha do campo cabe única e exclusivamente ao missionário. Se por razões diversas às daqui referidas, um missionário acaba em um campo missionário sem o devido envio ou cobertura de uma igreja, deve urgentemente procurar resolver esse problema espiritual. Essa cobertura não deve ser no papel somente ou por meio de ligações quase inesistentes, mas real, relacional e de fato. O missionário “cometa” vaga em uma órbita distante dos outros planetas, devidamente posicionados e mantidos pela sua estrela, fonte de calor. Têm órbita irregular, carrega consigo muito gelo e às vezes passa anos sem que os vejamos. Não cometa essa órbita. Ela trará isolamento, escuridão e lembre-se, um cometa não tem luz própria, somente quando passa perto do sol, e dos planetas que ali já estão, é que é iluminado.
Toda ação em direção ao evangelismo e missões pode dar resultados. Até incrédulos têm obtido resultados positivos. Não meça o seu ministério pelos resultados pois o Senhor disse que se nos calássemos até as pedras clamariam. O fato de um missionário que saiu por conta própria colher alguns frutos não deve abonar a quebra de um príncípio bíblico. Agradeço a Deus por todos os missionários. Mas com grande amor exorto a esses que estão sozinhos a buscarem o Corpo. Me recordo quando em 1981, preocupado com o isolamento da Igreja Angolana, o Irmão André, da Missão Portas Abertas, nos convidou para um projeto naquele país. Por três anos trabalhamos pela Missão Volantes de Cristo e Portas Abertas para fortalecer o contato e intercâmbio da Igreja Angolana, tão atingida pela revolução comunista, com a Igreja em outras partes do mundo. O projeto foi um sucesso. O intercâmbio, contatos e comunhão voltaram à normalidade e em pouco tempo igrejas brasileiras visitavam Angola, corais angolanos faziam apresentações em igrejas brasileiras, e assim por diante. Nesse caso o isolamento não se deu por vontade própria, mas por contingências que o forçaram. Hoje, trabalho com uma organização missionária chamada Harvest World Network que tem ido de encontro a muitos missionários e campos independentes. Através de uma aliança real, temos suprido essa necessidade de comunhão, cobertura espiritual em oração, comunhão e intercessão, apoio logístico e contínua interação, sem contudo interferir no nome, administração, visão e autonomia. É interessante entender que autonomia não á independência.
6) O missionário é convidado por uma igreja ou uma agência fora do Brasil e á absorvido por ela.
Há alguns anos recebi um telefonema do Brasil de um pastor amigo, Eduardo Noel, de Patrópolis, que me solicitou intervir em uma caso que estava acontecendo em Genebra, na Suiça. Depois de diversos contatos resolvi visitar o campo. Alí encontrei um pastor que estava à frente de quatro igrejas brasileiras: em Genebra, Lausanne, Yverdon e Biege. Estava na Suiça há um ano e me contou que fora convidado pelo pastor da igreja de Genebra, a mesma que agora ele pastoreava. Após os arranjos para a viagem, veio com sua família e muito ímpeto para o trabalho. Em pouco tempo implantou dois trabalhos, o de Yverdon e o de Lausanne, trazendo o número de igrejas pastoreadas pelo pastor francês, para quatro. Satisfeito com o desenvolvimento do novo obreiro, o pastor francês aceitou um convite da França e entregou as quatro igrejas ao pastor brasileiro. Afinal, a maioria dos membros era brasileira. O pastor francês havia iniciado esse trabalho para dar apoio aos brasileiros. Tudo parece divinamente inspirado. Algum problema? O pastor brasileiro ainda não era pastor, não tinha muita experiência e viera para trabalhar debaixo da tutela de um pastor. Por outro lado, Deus estava honrando seu ministério. Começamos a ajudá-lo. Fizemos uma cerimônia familiar de ordenação, registramos o seu nome na Ordem de Pastores Brasileiros para que ele pudesse dar continuidade ao seu processo de legalização naquele país, enviamos um casal de missionários para ajudá-lo, Delvane e Kesia, suprimos o campo com alguma literatura, bíblias em português e fitas de sermões para sua devoção e, em parceria por algum tempo com a nossa igreja, ele tomou alento e revigorou suas forças. Nesse caso, o convite foi para uma atividade e evoluiu para outra. Esse pastor se encontra até hoje em Genebra.
No meu caso em particular, trabalhando com a Missão Volantes de Cristo, no Brasil, fui adotado pela Shady Grove Church em Grand Prairie, no Texas, em 1984. Esta foi a minha igreja local e agência enviadora até 2006 quando assumimos o cargo de Pastor de Missões da MOCOP – Mount Olive Baptist Church of Plano, no Texas. Pela Shady Grove Church implantamos o trabalho missionário nos Estados Unidos e através dela recebi meus documentos e a consequente cidadania americana. Até 2006, ainda ligado à Shady Grove Church como pastor da Shady Grove International Church, o seu braço brasileiro, desenvolví junto a Harvest World Network, a supervisão de uma rede missionária em mais de 20 países, sendo em alguns deles através de brasileiros. A presença de missionários brasileiros adotados por igrejas e agências enviadoras estrangeiras é marcante. Com o despertamento missionário na América Latina desde as décadas de 70 e 80, muitos líderes hodiernos nos campos missionários aqui nos Estados Unidos e alhures são brasileiros. Desses, uma vasta maioria foi adotada ou absorvida por agências estrangeiras. O que facilitou essa dinâmica foi a visita de muitos pastores estrangeiros, mormente dos Estados Unidos, ao Brasil nos anos 80, quando foi costume as igrejas americanas fazerem parcerias com igrejas nacionais estrangeiras e buscar financiar ministérios do terceiro mundo. A ida de obreiros brasileiros para estudo de graduação em seminários americanos e europeus também contribuiu para essa exposição que, em muitos casos, resultou em amalgamento cultural, casamentos, despertamento para novas estruturas missionárias, novas ideias, chamadas específicas, e convívio com a igreja onde congregava durante o curso, que, muitas vezes, apoiou o pastor ou missionário brasileiro financeiramente.
7) O missionário, em visita a um campo ou igreja no exterior, é convidado a assumir o trabalho.
Se ao visitar o campo um pastor ou missionário recebe um convite, cuidado. É preciso muita precaução, estudo dos antecedentes, conhecimento claro da causa e intenções dos que fizeram o convite. A ideia de que “a cavalo dado não se olha os dentes” pode arrasar o ministério de alguém que venha a receber um Cavalo de Troia. É um grupo que convida? De onde veio esse grupo? Saíram de uma igreja? Houve motim, rebelião?
É uma igreja que convida para assumir outra igreja, ou para assumnir o lugar de um pastor ou missionário retirante? Conversou com o pastor que está a voltar para o país de origem? Enfim, nesses casos uma pesquisa calma e profunda irá prevenir grandes aborrecimentos no futuro.
Um amigo pastor, com uma igreja estabilizada no Brasil, porém com chamada missionária para trabalhar na Europa, passou um mês visitando igrejas brasileiras naquele continente. Um convite atrás do outro, um contato aqui, outro ali, fez muitas amizades e relacionamentos. Passados alguns meses recebe um convite de uma das famílias que conheceu. Naquele país, o pastor da igreja local tinha levado a sua congregação a adotar o método ou sistema conhecido como G-12. Insatisfeitos com a mudança, vinte e cinco membros foram falar com o pastor. Este segundo o lider do grupo, deu um ultimato e disse que eles deveriam ou se adaptarem à nova realidade da igreja ou dela sairem. Agora, continuou o lider dos retirantes, resolvemos sair e não temos pastor. Queremos lhe convidar para ser o nosso pastor. Meu amigo pastor contactou outro pastor em um país vizinho, que fora quem o apresentara àquela igreja. O pastor nesse outro país confirmou o acontecido. Meu amigo se preparou para a viagem. Preparou sua igreja, fez culto de despedida e na semana da partida recebeu a notícia de que o pastor do outro país acabara de se mudar para aquela comunidade e assumira a igreja, ou melhor, o grupo. Estava em cheque-mate. Já havia convidado outro pastor para assumir sua igreja. Resolveu ir e iniciar um novo trabalho com uma ou duas famílias que restaram do grupo. Para aumentar a crise, sua igreja local não lhe pagava salário nem deu sustento durante os meses que passou naquele país. Com a distância e falta de envolvimento com sua igreja no Brasil, os laços foram se afrouxando. Conversamos por telefone e ele resolveu voltar ao Brasil e reassumir a igreja. Cremos que no futuro ele volte ou envie algum missionário para aquele país, pois sua chamada foi genuina e seu amor por aquele povo real. Mas quanto sofrimento ele passou com sua esposa que poderia ter sido evitado se tivesse aplicado alguns princípios de pesquisa, planejamento e de relacionamento.
8) O missionário sai do Brasil por razões diversas.
No estrangeiro, renova sua chamada e assume um campo, ou ainda, fora do Brasil se sente chamado e vocacionado para a obra missionária. Como já mencionei anteriormente, a saída do brasileiro para tentar a vida em países do primeiro mundo é uma realidade. Essa diáspora brasileira ocorre com grande força desde os anos 80. As razões principais são financeira e de segurança. O imigrante perde parte do seu chão e mudanças radicais podem ocorrer. Assim como a imigração para outro país pode contribuir para seu esfriamento espiritual e mudança de hábitos, principalmente quando a busca ao dinheiro se torna obsessiva, Deus pode usar exatamente esse atrativo natural do coração do missionário para levá-lo a experimentar uma renovação espiritual e reciclagem de sua chamada. Quando isso acontece, o obreiro ou obreira acaba percebendo que o Senhor estava em toda a sua trajetória e que a isca fora o dinheiro, coise de seu próprio coração.
9) O brasileiro imigra para outro país e alí se converte e recebe a chamada missionária de Deus.
Na igreja em Nagoia, Japão, pastoreada por meu primo, Pr. Ricardo Barcellos Kitaoka, a presença desses casos é a regra. Com a maioria de membros convertidos alí no Japão, o processo de discipulado, crescimento espiritual, chamada, treinamento e envio ocorre fora do Brasil. Hoje com treze campos missionários, incluindo China, Indonésia e Timor, os obreiros brasileiros são frutos do campo missionário. Em Atlanta, no estado da Georgia, nos Estados Unidos, o pastor João Carlos Rocha, também diretor da Harvest World Netwotk (Rede de Ministérios Colheita Internacional) www.colheita.net, está a frente de uma igreja onde a maioria se converteu nos Estados Unidos. Dali, vários já estão no seminário para treinamento e envio ao campo missionário.
10) O missionário é enviado por uma agência ou igreja e no campo missionário se agrega a outra agência ou igreja. Nesse caso, o que já foi comentado anteriormente se aplica. A diferença vem na filosofia e às vezes na teologia da nova agência. Como vimos, inúmeras são as nuances da ida ao campo. A escolha deste deve sempre incluir a chamada do obreiro, a participação da igreja local e a supervisão e apoio contínuo da agência enviadora, seja ela uma junta da mesma denominação da igreja local ou não.
Dei Gratia!
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