Dei Gratia

Missões e Sermões

A Ética e o Princípio de Boa Vizinhança – A12

Uma vez decidido o campo no qual se vai trabalhar, a primeira tarefa fraternal seria o contato com os pastores que lá estão. Se for um campo virgem, a idéia é contactar pastores da região e possivelmente alguns que tenham interesse naquele campo. Por mais que as igrejas se degenerem sempre existirão aquelas que realmente têm visão bíblica e visão do Reino. Pastores e igrejas interessadas no campo em que você irá implantar uma igreja, muitas vezes podem se tornar parceiros e até facilitadores repassando os contatos previos e até indicando pessoas chaves ou crentes locais a espera de uma igreja em sua própria língua.
Caso o local já tenha uma ou mais igrejas de imigrantes brasileiros, o obreiro precisa visitar cada pastor local, ou quando já houver uma saturação de igrejas de imigrantes, visitar pelo menos os pastores da área em que se vá implantar a nova igreja. Nesse caso, o implantador deve ter bem claro em seu coração o porquê de sua decisão quanto ao local. Algumas perguntas devem ser feitas a si mesmo e respondidas com sinceridade, espiritualidade e submissão ao Espírito Santo:
- Deus está me direcionando para abrir uma nova igreja nessa região onde já existem outras igrejas brasileiras evangélicas de imigrantes?
- As igrejas dessa região não estão cumprindo o IDE ou não conseguem atingir a população alvo?
- As igrejas dessa região estão em apostasia? Suas doutrinas não refletem o evangelho de Cristo sem comprometimento?
- Estou aqui somente para abrir uma nova igreja de minha denominação?
- Esta região é estratégica para a expansão de nossa denominação ou visão missionária?

Estas e outras perguntas devem ser consideradas pelo obreiro e pela instituição enviadora, seja ela uma agência, uma junta missionária ou uma igreja local. Por esta razão, o exemplo bíblico de ser enviar espias, é muito proveitoso. Sempre antes de cada viagem missionária da Missão Volantes de Cristo, visitamos a região, pastores, pessoas influentes da comunidade enquanto estudamos as estatísticas e história locais. Temos poupado muita duplicação de esforços e até futuras possíveis confrontações por respeitarmos essas regras de ética e agirmos sempre com uma política de boa vizinhança.

A realidade porém do que vem acontecendo na Europa e Estados Unidos principalmente, é bem direfente. Salvo as excessões, grande parte das igrejas de estrangeiros vivem a convidar membros de outras igrejas “concorrentes”. Artimanhas como a realização de eventos, convite de cantores renomados, reuniões nos lares, reuniões de oração e até participação em grupos de dança e de música, têm servido para esse arrebanhamento. O termo “pescar em aquário” é tão real que algumas igrejas são formadas fundamentalmente por pessoas arrebanhadas de outros ministérios.

Entre outros exemplos catastróficos o da traição interna é o mais comum.
O pastor local ajuda um novo obreiro recém chegado ao país. Consegue para ele casa, escola para os filhos, documentação, e abre uma área de seu ministério para que ele continue a trabalhar na obra. O recém chegado obreiro se torna pastor dos jovens, ou líder de louvor, ou co-pastor, ou assume qualquer outro ofício que lhe dá acesso aos membros da igreja. Quando o número de pessoas envolvidas por este recém chegado obreiro é suficiente, segundo sua estratégia, ele dá o golpe e divide a igreja. Geralmente ele começa a minar a fidelidade dos membros mais rebeldes e descontentes com o pastor local. Às vezes, nem pastor ordenado ele é, mas isso ele mesmo resolve com uma ordenação por outros pastores locais, talvez interessados no possível desmoronamento da igreja local daquele pastor que ajudara o obreiro, pois se uma igreja de desfaz, acaba sobrando crente para as outras.
Esse golpe tem destruido igrejas, trazido vergonha ao Reino e cauterizado os corações de muitos cristãos no estrangeiro por verem essa estratégia satânica acontecer inúmeras vezes em suas regiões. Como foi comum ao povo brasileiro se esquecer das falcatruas de políticos pernósticos e na próxima eleição votarem mais uma vez neles, os crentes de caráter dúbio fazem o mesmo e acham até comum o aparecimento de uma nova igreja através da destruição ou divisão de outra.

Outra artimanha anti-ética é se programar um evento no mesmo dia e na mesma hora em que a igreja vizinha realizará o seu. Assim fazendo, os membros daquela igreja estarão ocupados com os próprios programas e não serão expostos a outros ministérios que, segundo muitos pastores, ëstão de olho” em suas ovelhas. Como esse universo eclesiástico brasileiro no estrangeiro está se tornando mais e mais selvagem, a idéia é fechar as portas para qualquer comunhão entre igrejas “rivais” para que aquela não roube os membros dessa. Que tristeza se viver e trabalhar para o Senhor em um ambiente assim. Graças a Deus sempre existirão aquelas que continuam vivendo nos padrões bíblicos e comungam entre si. O cenário mais caótico é quando os líderes evangélicos de uma região criam um Conselho de Pastores, presumivelmente para terem comunhão e unidos lutarem contra as trevas, e o tal “Conselho” acaba servindo para política e famosas “panelinhas”.

Longe de ser pessimista, trago esses exemplos que me reservo em não revelar os “santos”, para alertar àqueles que ainda não se contaminaram com profissionalismo de competição e emulação eclesiástica. Deus é aquele que acrescenta seus verdadeiros filhos e filhas à igreja implantada. Até o apóstolo Paulo cita todas essas outras intenções e conflitos de interesse, mas arremata, “se Cristo está sendo pregado”, Deus se glorifica na eficácia da salvaçào oferecida. Quando encontramos verdadeiros pastores, e não colecionadores de crentes, nosso coração exulta de gozo pois percebemos o sobrenatural em ação, a visão do Ide em evolução e as vidas do cristãos locais em harmonia com Deus, com aqueles de outras igrejas e principalmente consigo mesmos, vivendo em novidade de vida e “expressando a glória do Senhor”, como diz a canção do Asaph Borba.

Dei Gratia!

24/03/2010 - Publicado por | Missões - artigos

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