Dei Gratia

Missões e Sermões

A Ética e o Princípio de Boa Vizinhança – A12

Uma vez decidido o campo no qual se vai trabalhar, a primeira tarefa fraternal seria o contato com os pastores que lá estão. Se for um campo virgem, a idéia é contactar pastores da região e possivelmente alguns que tenham interesse naquele campo. Por mais que as igrejas se degenerem sempre existirão aquelas que realmente têm visão bíblica e visão do Reino. Pastores e igrejas interessadas no campo em que você irá implantar uma igreja, muitas vezes podem se tornar parceiros e até facilitadores repassando os contatos previos e até indicando pessoas chaves ou crentes locais a espera de uma igreja em sua própria língua.
Caso o local já tenha uma ou mais igrejas de imigrantes brasileiros, o obreiro precisa visitar cada pastor local, ou quando já houver uma saturação de igrejas de imigrantes, visitar pelo menos os pastores da área em que se vá implantar a nova igreja. Nesse caso, o implantador deve ter bem claro em seu coração o porquê de sua decisão quanto ao local. Algumas perguntas devem ser feitas a si mesmo e respondidas com sinceridade, espiritualidade e submissão ao Espírito Santo:
- Deus está me direcionando para abrir uma nova igreja nessa região onde já existem outras igrejas brasileiras evangélicas de imigrantes?
- As igrejas dessa região não estão cumprindo o IDE ou não conseguem atingir a população alvo?
- As igrejas dessa região estão em apostasia? Suas doutrinas não refletem o evangelho de Cristo sem comprometimento?
- Estou aqui somente para abrir uma nova igreja de minha denominação?
- Esta região é estratégica para a expansão de nossa denominação ou visão missionária?

Estas e outras perguntas devem ser consideradas pelo obreiro e pela instituição enviadora, seja ela uma agência, uma junta missionária ou uma igreja local. Por esta razão, o exemplo bíblico de ser enviar espias, é muito proveitoso. Sempre antes de cada viagem missionária da Missão Volantes de Cristo, visitamos a região, pastores, pessoas influentes da comunidade enquanto estudamos as estatísticas e história locais. Temos poupado muita duplicação de esforços e até futuras possíveis confrontações por respeitarmos essas regras de ética e agirmos sempre com uma política de boa vizinhança.

A realidade porém do que vem acontecendo na Europa e Estados Unidos principalmente, é bem direfente. Salvo as excessões, grande parte das igrejas de estrangeiros vivem a convidar membros de outras igrejas “concorrentes”. Artimanhas como a realização de eventos, convite de cantores renomados, reuniões nos lares, reuniões de oração e até participação em grupos de dança e de música, têm servido para esse arrebanhamento. O termo “pescar em aquário” é tão real que algumas igrejas são formadas fundamentalmente por pessoas arrebanhadas de outros ministérios.

Entre outros exemplos catastróficos o da traição interna é o mais comum.
O pastor local ajuda um novo obreiro recém chegado ao país. Consegue para ele casa, escola para os filhos, documentação, e abre uma área de seu ministério para que ele continue a trabalhar na obra. O recém chegado obreiro se torna pastor dos jovens, ou líder de louvor, ou co-pastor, ou assume qualquer outro ofício que lhe dá acesso aos membros da igreja. Quando o número de pessoas envolvidas por este recém chegado obreiro é suficiente, segundo sua estratégia, ele dá o golpe e divide a igreja. Geralmente ele começa a minar a fidelidade dos membros mais rebeldes e descontentes com o pastor local. Às vezes, nem pastor ordenado ele é, mas isso ele mesmo resolve com uma ordenação por outros pastores locais, talvez interessados no possível desmoronamento da igreja local daquele pastor que ajudara o obreiro, pois se uma igreja de desfaz, acaba sobrando crente para as outras.
Esse golpe tem destruido igrejas, trazido vergonha ao Reino e cauterizado os corações de muitos cristãos no estrangeiro por verem essa estratégia satânica acontecer inúmeras vezes em suas regiões. Como foi comum ao povo brasileiro se esquecer das falcatruas de políticos pernósticos e na próxima eleição votarem mais uma vez neles, os crentes de caráter dúbio fazem o mesmo e acham até comum o aparecimento de uma nova igreja através da destruição ou divisão de outra.

Outra artimanha anti-ética é se programar um evento no mesmo dia e na mesma hora em que a igreja vizinha realizará o seu. Assim fazendo, os membros daquela igreja estarão ocupados com os próprios programas e não serão expostos a outros ministérios que, segundo muitos pastores, ëstão de olho” em suas ovelhas. Como esse universo eclesiástico brasileiro no estrangeiro está se tornando mais e mais selvagem, a idéia é fechar as portas para qualquer comunhão entre igrejas “rivais” para que aquela não roube os membros dessa. Que tristeza se viver e trabalhar para o Senhor em um ambiente assim. Graças a Deus sempre existirão aquelas que continuam vivendo nos padrões bíblicos e comungam entre si. O cenário mais caótico é quando os líderes evangélicos de uma região criam um Conselho de Pastores, presumivelmente para terem comunhão e unidos lutarem contra as trevas, e o tal “Conselho” acaba servindo para política e famosas “panelinhas”.

Longe de ser pessimista, trago esses exemplos que me reservo em não revelar os “santos”, para alertar àqueles que ainda não se contaminaram com profissionalismo de competição e emulação eclesiástica. Deus é aquele que acrescenta seus verdadeiros filhos e filhas à igreja implantada. Até o apóstolo Paulo cita todas essas outras intenções e conflitos de interesse, mas arremata, “se Cristo está sendo pregado”, Deus se glorifica na eficácia da salvaçào oferecida. Quando encontramos verdadeiros pastores, e não colecionadores de crentes, nosso coração exulta de gozo pois percebemos o sobrenatural em ação, a visão do Ide em evolução e as vidas do cristãos locais em harmonia com Deus, com aqueles de outras igrejas e principalmente consigo mesmos, vivendo em novidade de vida e “expressando a glória do Senhor”, como diz a canção do Asaph Borba.

Dei Gratia!

24/03/2010 Publicado por | Missões - artigos | Deixe um comentário

Implantando uma Igreja no Exterior – A11

A ideia de se implantar uma igreja no estrangeiro para comungar os imigrantes do país do pastor é bem antiga. Quando Israel saiu para cativeiro ou em diáspora, para lá também foram líderes religiosos. As sinagogas, inclusive em tempos hodiernos, são a resposta a essa demanda. Comunidades americanas emigrantes, iniciaram igrejas evangélicas onde o culto era em inglês.

Quando um pastor ou missionário vai a um campo estrangeiro onde existe uma concentração razoavel de pessoas de sua própria terra, sua visão pode ser: 1) Alcançar os habitantes daquele país ou região, ou seja, um trabalho genuinamente transcultural. 2) Alcançar os imigrantes de seu país de origem. 3) Alcançar imigrantes de outros países, o que seria também um ministério transcultural. 4) Trabalho mixto, onde o alcance dos imigrantes de seu próprio país geralmente se torna a base para as outras investidas evangelísticas ou missionárias.

Mais Uma Igreja

O planejamento de se implantar uma nova igreja deve ser coerente com a Palavra de Deus e contextualmente correto. O apóstolo Paulo disse que se esforçava para “anunciar o evangelho, não onde Cristo houvera sido nomeado, para não edificar sobre fundamento alheio; antes, como está escrito: Aqueles a quem não foi anunciado, o verão; e os que não ouviram, entenderão” (Rm 15:20-21). A partir do século XVII, com a presença mais efetiva das denominações, tornou-se hábito se implantar uma nova igreja, de sua própria denominação, em locais onde a tal denominação não estivesse ainda representada. Assim, em uma cidade de tamanho médio, se encontraria campo para a implantação de várias igrejas evangélicas, porém de denominações diferentes. O argumento era apologético e estratégico para a proliferação e crescimento da denominação que resultava em maior divulgação de sua doutrina, obviamente considerada pela denominação a mais pura e correta. O próximo passo foi a implantação de novas igrejas da mesma denominação em uma região, usualmente pelo crescimento dos pontos de pregação que se tornavam congregações e por fim eram emancipadas em igrejas locais. Daí, apareceram a primeira, segunda, terceira Igreja Batista, ou nomes que diferenciavam uma das outras como Igreja Presbiteriana da Lagoa, Igreja Assembleia de Deus do Morumbi. Se a divisão até então era vista do ponto de vista doutrinário, desembocando nas divisões denominacionais, a partir do século XX, novas divisões apareceram. A Igreja Presbiteriana do Brasil e a Igreja Presbiteriana Independente, são um exemplo. Sua doutrina bíblica é praticamente a mesma. A grande diferença se encontrava na aceitação ou não de pastores se filiarem à Maçonaria. Por isso, desde então, começaram a aparecer igrejas presbiterianas pertencentes à denominação IPB e outras à IPI. A divisão continuou quando muitas denominações experimentaram o confronto entre a ala conservacionista e ortodoxa e a renovadora com características pentecostais. Nesta fase, se proliferaram as subdivisões denominacionais. Com a chegada das igrejas neo-pentecostais e carismáticas, houve uma esponenciação de nomes, doutrinas, costumes, liturgias, ênfases, e visões de crescimento. Hoje, fica difícil se propor um parâmetro justo para a decisão de se implantar uma nova igreja, pois, pela herança recebida das denominações, é histórico se abrir uma nova igreja em local onde a sua própria denominação não tem representatividade.
Cabe agora ao obreiro, à agência missionária, à junta denominacional de missões, ou à igreja local enviadora, lapidar a visão e escolher o campo.
Nos Estados Unidos, Europa e Japão, e também em outras regiões, os pastores que resolvem iniciar um trabalho com imigrantes, poderiam ser divididos em dois grupos: aqueles que são pioneiros na região e os que vieram depois. Os primeiros realmente têm mais base bíblica para a implantação de uma igreja de imigrantes. Os que iniciam novas igrejas em pequenas comunidades onde já existam outras igrejas evangélicas entre os imigrantes, acabam também convivendo com aqueles que abrem uma igreja por motivos financeiros e têm conflitos de interesse. Há lugares na Flórida e na região da Nova Inglaterra – nordeste dos Estados Unidos – onde se pode encontrar sete a oito igrejas brasileiras na mesma rua. Na grande parte são igrejas pequenas não missionárias. O que é isso? A escolha do local para se implantar a nova igreja deve obedecer ao IDE de Jesus, e levar em conta que se abrir um igreja ao lado da outra, que também já está do lado de outra, tem algo de muito estranho na visão.
Desde o tempo em que a Missão Volantes de Cristo foi criada, em 1978, tenho zelado pela visão de igrejas pioneiras. Creio que um projeto sério de implantação de igrejas deve levar em conta a possibilidade do desbravamento, muitas vezes requerendo um pouco mais de esforço, mas demonstrando visão missionária e obediência que juntas expressam o motivo correto.
Resumindo, procure implantar igrejas onde você não venha concorrer com outros missionários, não venha dividir o campo. Nunca inicie uma igreja arrebanhando pessoas de uma igreja local que está alí há mais tempo. Procure locais onde não existam igrejas evangélicas para o povo que você vai alcançar. Se por ventura, sua agência missionária, estratégicamente precisa iniciar um trabalho onde outros já estão, faça-o em harmonia e unidade. Uma casa dividida não pode prevalecer. Ajude a ajuntar. Jamais espalhe.

22/03/2010 Publicado por | Missões - artigos | Deixe um comentário

Desabafo Missionário – A10

“Amados.

Que a doce Paz de nosso Jesus, esteja com todos vocês.

Está se aproximando um final de ano a mais no Campo Missionário. Faz 3 ½ que estamos no Chile, fazendo a obra do Senhor. Neste período, descobrimos verdadeiramente o agir de Deus.  Se foram as emoções dos Congresos de Missões, dos Cultos Missionários, das Manhãs Pentencostais Missionárias, dos Cultos com trajes e comidas típicas, e veio a realidade do Campo Missionário. Algo que só vai sentir quem já viveu esta indescritível experiência. Nos sentimos “chilenos” em tão pouco tempo! Mais parece que já vivemos aquí há anos.

É um país difícil para o Evangelho onde a credibilidade ministerial está no chão. Ser pastor no Chile é servir de “escândalo”; ser pastor no Chile é ser adúltero, ladrão, corrupto, enfim, é ser um aproveitador a mais. O Chile, é considerado o país mais preconceituoso de América do Sul. É um país com extratificação de classes sociais, é um país caríssimo de se viver. Se paga a educação municipalizada, a saúde, não é um país industrializado, razão de estar entre o segundo e terceiro país mais caro da América Latina para se viver. Todas estas realidades eu não entendia. Confesso que cheguei no campo cheio de ideais e emoções, animado, mas depois de três mêses neste país meu desejo era voltar para minha pátria. Além do mais, é um país geladíssimo e sísmico, onde o útlimo tremor de terra que tivemos em Santiago, há um mês atrás, foi de 5,6 graus. Tudo isto, por mais simples que pareça, se não tivéssemos uma chamada verdadeira e não estivéssemos convictos do que Deus quería fazer com nossa família, já teríamos voltado ao Brasil.
Viva o Brasil”!

Superamos dificuldades que ainda não aceitamos, mais as superamos. Passamos fome, vi meu filho desmaiar de fome, vivemos necessidades terríveis. Para que os amados tenham uma idéia, faz anos que minha familia não faz um “check-up” médico. Neste período que estamos aquí, nossa vida tem sido um grande milagre. Relatar tudo que vivemos, é imposível, porque o dia a dia no Campo Missionário não é como muitos aficionados por missões pensam. Missões não é só evangelismo, pregar, expulsar demônios, falar de Jesus a todo tempo. Não. Missões também é vida emocional, psicológica, pagar aluguel, manter sua família, ter falta de medicamento, falta de roupa e calçado, falta de um gabinete pastoral.  O missionário só dá e não recebe por anos, e ainda para muitos, é tido como turista.  A maioria das igrejas que enviam um missionário ao campo, não cuida dos mesmos como se deveria cuidar. Exige relatórios, relatórios e relatórios, mais se esquecem das necesidades básicas do missionário. Não se comunicam, nenhuma carta, nenhum email, nenhum telefonema.  As esposas dos pastores não se comunicam com as esposas do missionário, os filhos dos pastores não se comunicam com os filhos dos missionários, enfim, definitivamente o missionário foi chamado para sofrer, e se não sofrer como se deve sofrer, não é missionário. Missionário que é missionário, tem que passar fome, necesidades. Deus tem que curar suas enfermidades, fazer aparecer dinheiro no chão, na rua, no guarda-roupa, etc. E melhor ainda, de visita ao Brasil, tem que contar tudo isto. Como me falou um Secretário de Missões em visita ao Chile, “você está no deserto de Deus, na escola de Deus”. É verdade, nesta frase vejo a limitação dos nossos agentes missionários, completamente leigos sobre o tema.

Hoje, depois deste período, eu sei em quem tenho crido. Falo como Jó: “antes eu conhecía a Deus só de ouvir falar, mais hoje, os meus olhos o contemplam”. Hoje eu sei o que é fé, sei o que é evangelho, sei o que é pregar e ter resultados, e não ser um “profissional de púlpitos” como está cheio no Brasil. Pregações como “Sete Tópicos de um Gideäo Missionário” não passam de falácias desconhecidas do tema.

Sou missionário e me orgullo de ser. Nesta carta quero agradecer a três homens de Deus que acreditaram em mim, no “Proyecto Chile”. Ao meu pastor presidente Josias Martins, MSF – Angra dos Reis, RJ, ao meu amigo pastor Manassés Brito, AD Campinho – Jacarepaguá, RJ, e a um amigo em particular, pastor Julio B. Pinto, dos Estados Unidos.  As conquistas aqui no Chile devo ao apoio que tenho e tive em momentos cruciais, como foi a ajuda do Pr. Julio Barcellos Pinto no ano de 2004 aqui no Chile.

Falar do Pr. Manassés, este grande homem de Deus, é recordar o que ficou gravado nos corações dos nossos primeiros membros aquí no Chile. A chegada daquela comitiva deu uma arrancada na obra missionária. Mais que isto, serviu de exemplo para mim, minha familia (esposa e filhos), e novos membros da recém-formada igreja. Um homem com o êxito que tem no Brasil e no exterior, transmitir tanta simplicidade, humildade, amor com a minha familia e com a obra missionária, foi incrível! Supriu minha casa com itens importantes, meus filhos com utensílios escolares, enfim, marcou nossas vidas. Temos uma saudade incrível dessa comitiva. O ímpeto para evangelismo, o culto realizado na garagem da nossa casa, a investida do diabo contra ele, sua esposa e contra os pastores Bernardino e  Edmilson, foram experiências marcantes para o crecimento do trabalho aqui no Chile. Os amamos muito e sentimos muitas saudades.

Pastor Julio Pinto foi um amigo enviado por Deus em um momento de muita angústia, quando estávamos desesperados e vivendo nossa maior crise no campo missionário. Este grande homem de Deus, que ainda não conheço pessoalmente, mais irei conhecer logo, para abraçá-lo com a minha família, me ajudou com orações, conselhos via email, e financieramente, quando o meu filho desmaiou de fome por duas vezes. Tenho uma estima muito grande por este servo de Deus, e um día, creio que não muito distante, Deus me proporcionará conhecê-lo.

Meu pastor presidente… é um pai para mím e minha familia. Pastor Josías investiu no meu ministério sem me conhecer. Me abriu os braços e me acolheu, juntamente com minha esposa e filhos, em um momento super difícil, e até hoje me mantem no campo missionário. Abraçou o “Proyecto Chile” sem ler, sem saber o que realmente era ou de que se tratava, simplesmente confiou em mim. Hoje, o resultado está aí! ¡Dios és fiel! O estimamos muito. Sempre terá meu respeito e total obediência.

Começamos com algunas famílias em uma casa, crecemos, agora estamos em um templo com mais de 120 pessoas congregando, fiéis, ajudadoras; fizemos dois batismos neste ano, formamos obreiros autóctones, conseguimos um Instituto Teológico, patrocinado pelo IBADEP – Instituto Teológico da Assembléia de Deus do Paraná, para nos apoiar nessa tarefa. Serão dois anos de ensino teológico. Estamos abrindo um núcleo de teología em Los Angeles, cidade no sul do Chile. O que Deus está fazendo conosco aqui é coisa grandiosa. Estamos propondo a compra de um terreno de 1.000 m² onde, no nome de Jesus, vamos construir e realizar o Projeto que Deus colocou em nosso coração para esta nação. No ano de 1986 Deus me chamou para o Chile.  No ano 2000 ele reavivou esta chamada, e em 2001, pela primeira vez, no mês de julho, coloquei os meus pés no Chile. Em 2003 voltei com toda minha família depois de um pequeno período no Brasil, e aqui estamos até hoje. Temos um projeto em fase inicial. Creio que com a ajuda do nosso Deus vamos conseguir concluí-lo. Missões, aprendi que não se fazem com imediatismo, e sim se investindo tempo. Cada missionário está envolvido com o povo que Deus o deu. Missões não é algo rotativo, missões são inversão de tempo, é ter o obreiro ideal para a nação ideal. Por isso, antes de dizer que meu coração está nesta nação, tenho que analisar todos os aspectos que envolvem a obra missionária.

Está se aproximando mais um final de ano. Para nós no campo missionário, gera-se uma expectativa diferente. Por que? Já estamos acostumados a enviar cartas para pessoas que se comprometeram em nos ajudar, em sempre telefonar, enfim, estamos nós missionários já acostumados com esta “Emoção Missionária”. Mais mesmo assim, enviamos nossa Petição de Final de Ano. Não com histórias comovedoras, mais com o apêlo de que tenhamos, ao menos, um Natal digno, com alegría financeira para nossa familia. Afinal, temos filhos, e quem é pai de familia ou pastoreia igreja, sabe o quanto é difícil para nossos filhos, principalmente no campo missionário, longe do nosso país. Nossos filhos, têm o privilégio de conhecer outra nação, outra cultura, outros costumes, mais por outro lado, se privam de serem normais como os demais. Se privam de presentes nesta e em outras ocasiõs, se privam de uma roupa nova, ou um calçado novo, e de muitas outras coisas, porque, como muitos pensam, obra missionária é viver com com escassez, conceito de muitos, porém não bíblico, conforme Filipenses 4.10 e  3 João 2.  ¡Que Dios te Bendiga! Orem por nossa família. Pr BJ e esposa RM, e filhos: R, F, M e J.

Dei Gratia!

20/03/2010 Publicado por | Missões - artigos | 5 Comentários

A Procura do Campo Missionário – A9

Voltemos às possibilidades de implantação de uma igreja ou de um campo missionário no exterior.

5) O missionário resolve ir ao campo por conta própria.
É incrível a quantidade desses missionários.  O processo pode surgir por ter sido negada a oportunidade de se ir através da igreja local, não ter as qualificações exigidas pela agência enviadora, traços específicos de personalidade, conflitos de interesse onde o intúito de se sair do Brasil, por diversas razões, inclusive a de segurança ou a financeira, se mistura ao chamado, rebeldia, egocentrismo, ignorância sobre o que é um campo missionário, imediatismo, grande amor pela obra de Deus, porém sem direção clara, ostracismo, disputa e emulação, insubmissão, incompreensão por parte da igreja local ou da agência enviadora, política, enfim, muitas podem ser as variáveis, mas o que acontece é que o missionário parte para o campo sem ter quem o tivesse enviado.  Alguns, menos expostos, visitam diversas igreja e amigos, levantando o seu sustento e arregimentando intercessores.  Outros, criam suas próprias missões e se enviam através delas.  Em qualquer caso, quando o missionário sai por conta própria, fere o princípio bíblico do envio em Romanos 10:14-15.  “Como pois invocarão aquele em quem não creram? e como crerão naquele de quem nada ouviram? e como ouvirão, se não há quem pregue? E como pregarão, se não forem enviados”?  O Espírito Santo disse à igreja para se separar Barnabé e Paulo, e assim fazendo, eles os abençoaram e os enviaram.  Nós caçamos em bando, como os leões, e não solitariamente como gatos.  O mesmo espírito que acomete àqueles que querem viver uma vida cristã dissociada da igreja local, ataca esses missionários.  Nesses casos, quase sempre, a escolha do campo cabe única e exclusivamente ao missionário. Se por razões diversas às daqui referidas, um missionário acaba em um campo missionário sem o devido envio ou cobertura de uma igreja, deve urgentemente procurar resolver esse problema espiritual.  Essa cobertura não deve ser no papel somente ou por meio de ligações quase inesistentes, mas real, relacional e de fato. O missionário “cometa” vaga em uma órbita distante dos outros planetas, devidamente posicionados e mantidos pela sua estrela, fonte de calor.  Têm órbita irregular, carrega consigo muito gelo e às vezes passa anos sem que os vejamos.  Não cometa essa órbita.  Ela trará isolamento, escuridão e lembre-se, um cometa não tem luz própria, somente quando passa perto do sol, e dos planetas que ali já estão, é que é iluminado.

Toda ação em direção ao evangelismo e missões pode dar resultados.  Até incrédulos têm obtido resultados positivos.  Não meça o seu ministério pelos resultados pois o Senhor disse que se nos calássemos até as pedras clamariam.  O fato de um missionário que saiu por conta própria colher alguns frutos não deve abonar a quebra de um príncípio bíblico.  Agradeço a Deus por todos os missionários.  Mas com grande amor exorto a esses que estão sozinhos a buscarem o Corpo.  Me recordo quando em 1981, preocupado com o isolamento da Igreja Angolana, o Irmão André, da Missão Portas Abertas, nos convidou para um projeto naquele país.  Por três anos trabalhamos pela Missão Volantes de Cristo e Portas Abertas para fortalecer o contato e intercâmbio da Igreja Angolana, tão atingida pela revolução comunista, com a Igreja em outras partes do mundo.  O projeto foi um sucesso.  O intercâmbio, contatos e comunhão voltaram à normalidade e em pouco tempo igrejas brasileiras visitavam Angola, corais angolanos faziam apresentações em igrejas brasileiras, e assim por diante.  Nesse caso o isolamento não se deu por vontade própria, mas por contingências que o forçaram.  Hoje, trabalho com uma organização missionária chamada Harvest World Network que tem ido de encontro a muitos missionários e campos independentes.  Através de uma aliança real, temos suprido essa necessidade de comunhão, cobertura espiritual em oração, comunhão e intercessão, apoio logístico e contínua interação, sem contudo interferir no nome, administração, visão e autonomia.  É interessante entender que autonomia não á independência.

6) O missionário é convidado por uma igreja ou uma agência fora do Brasil e á absorvido por ela.
Há alguns anos recebi um telefonema do Brasil de um pastor amigo, Eduardo Noel, de Patrópolis, que me solicitou intervir em uma caso que estava acontecendo em Genebra, na Suiça.  Depois de diversos contatos resolvi visitar o campo.  Alí encontrei um pastor que estava à frente de quatro igrejas brasileiras: em Genebra, Lausanne, Yverdon e Biege. Estava na Suiça há um ano e me contou que fora convidado pelo pastor da igreja de Genebra, a mesma que agora ele pastoreava.  Após os arranjos para a viagem, veio com sua família e muito ímpeto para o trabalho.  Em pouco tempo implantou dois trabalhos, o de Yverdon e o de Lausanne, trazendo o número de igrejas pastoreadas pelo pastor francês, para quatro. Satisfeito com o desenvolvimento do novo obreiro, o pastor francês aceitou um convite da França e entregou as quatro igrejas ao pastor brasileiro.  Afinal, a maioria dos membros era brasileira.  O pastor francês havia iniciado esse trabalho para dar apoio aos brasileiros.  Tudo parece divinamente inspirado.  Algum problema?  O pastor brasileiro ainda não era pastor, não tinha muita experiência e viera para trabalhar debaixo da tutela de um pastor.  Por outro lado, Deus estava honrando seu ministério.  Começamos a ajudá-lo.  Fizemos uma cerimônia familiar de ordenação, registramos o seu nome na Ordem de Pastores Brasileiros para que ele pudesse dar continuidade ao seu processo de legalização naquele país, enviamos um casal de missionários para ajudá-lo, Delvane e Kesia, suprimos o campo com alguma literatura, bíblias em português e fitas de sermões para sua devoção e, em parceria por algum tempo com a nossa igreja, ele tomou alento e revigorou suas forças.  Nesse caso, o convite foi para uma atividade e evoluiu para outra.  Esse pastor se encontra até hoje em Genebra.

No meu caso em particular, trabalhando com a Missão Volantes de Cristo, no Brasil, fui adotado pela Shady Grove Church em Grand Prairie, no Texas, em 1984.  Esta foi a minha igreja local e agência enviadora até 2006 quando assumimos o cargo de Pastor de Missões da MOCOP – Mount Olive Baptist Church of Plano, no Texas.  Pela Shady Grove Church implantamos o trabalho missionário nos Estados Unidos e através dela recebi meus documentos e a consequente cidadania americana.  Até 2006, ainda ligado à Shady Grove Church como pastor da Shady Grove International Church, o seu braço brasileiro, desenvolví junto a Harvest World Network, a supervisão de uma rede missionária em mais de 20 países, sendo em alguns deles através de brasileiros. A presença de missionários brasileiros adotados por igrejas e agências enviadoras estrangeiras é marcante.  Com o despertamento missionário na América Latina desde as décadas de 70 e 80, muitos líderes hodiernos nos campos missionários aqui nos Estados Unidos e alhures são brasileiros.  Desses, uma vasta maioria foi adotada ou absorvida por agências estrangeiras.  O que facilitou essa dinâmica foi a visita de muitos pastores estrangeiros, mormente dos Estados Unidos, ao Brasil nos anos 80, quando foi costume as igrejas americanas fazerem parcerias com igrejas nacionais estrangeiras e buscar financiar ministérios do terceiro mundo. A ida de obreiros brasileiros para estudo de graduação em seminários americanos e europeus também contribuiu para essa exposição que, em muitos casos, resultou em amalgamento cultural, casamentos, despertamento para novas estruturas missionárias, novas ideias, chamadas específicas, e convívio com a igreja onde congregava durante o curso, que, muitas vezes, apoiou o pastor ou missionário brasileiro financeiramente.

7) O missionário, em visita a um campo ou igreja no exterior, é convidado a assumir o trabalho.
Se ao visitar o campo um pastor ou missionário recebe um convite, cuidado.  É preciso muita precaução, estudo dos antecedentes, conhecimento claro da causa e intenções dos que fizeram o convite.  A ideia de que “a cavalo dado não se olha os dentes” pode arrasar o ministério de alguém que venha a receber um Cavalo de Troia.  É um grupo que convida? De onde veio esse grupo? Saíram de uma igreja? Houve motim, rebelião?
É uma igreja que convida para assumir outra igreja, ou para assumnir o lugar de um pastor ou missionário retirante?  Conversou com o pastor que está a voltar para o país de origem? Enfim, nesses casos uma pesquisa calma e profunda irá prevenir grandes aborrecimentos no futuro.

Um amigo pastor, com uma igreja estabilizada no Brasil, porém com chamada missionária para trabalhar na Europa, passou um mês visitando igrejas brasileiras naquele continente.  Um convite atrás do outro, um contato aqui, outro ali, fez muitas amizades e relacionamentos.  Passados alguns meses recebe um convite de uma das famílias que conheceu.  Naquele país, o pastor da igreja local tinha levado a sua congregação a adotar o método ou sistema conhecido como G-12.  Insatisfeitos com a mudança, vinte e cinco membros foram falar com o pastor.  Este segundo o lider do grupo, deu um ultimato e disse que eles deveriam ou se adaptarem à nova realidade da igreja ou dela sairem.  Agora, continuou o lider dos retirantes, resolvemos sair e não temos pastor.  Queremos lhe convidar para ser o nosso pastor.  Meu amigo pastor contactou outro pastor em um país vizinho, que fora quem o apresentara àquela igreja.  O pastor nesse outro país confirmou o acontecido.  Meu amigo se preparou para a viagem.  Preparou sua igreja, fez culto de despedida e na semana da partida recebeu a notícia de que o pastor do outro país acabara de se mudar para aquela comunidade e assumira a igreja, ou melhor, o grupo.  Estava em cheque-mate.  Já havia convidado outro pastor para assumir sua igreja.  Resolveu ir e iniciar um novo trabalho com uma ou duas famílias que restaram do grupo.  Para aumentar a crise, sua igreja local não lhe pagava salário nem deu sustento durante os meses que passou naquele país.  Com a distância e falta de envolvimento com sua igreja no Brasil, os laços foram se afrouxando.  Conversamos por telefone e ele resolveu voltar ao Brasil e reassumir a igreja.  Cremos que no futuro ele volte ou envie algum missionário para aquele país, pois sua chamada foi genuina e seu amor por aquele povo real.  Mas quanto sofrimento ele passou com sua esposa que poderia ter sido evitado se tivesse aplicado alguns princípios de pesquisa, planejamento e de relacionamento.

8) O missionário sai do Brasil por razões diversas.
No estrangeiro, renova sua chamada e assume um campo, ou ainda, fora do Brasil se sente chamado e vocacionado para a obra missionária.  Como já mencionei anteriormente, a saída do brasileiro para tentar a vida em países do primeiro mundo é uma realidade.  Essa diáspora brasileira ocorre com grande força desde os anos 80.  As razões principais são financeira e de segurança. O imigrante perde parte do seu chão e mudanças radicais podem ocorrer.  Assim como a imigração para outro país pode contribuir para seu esfriamento espiritual e mudança de hábitos, principalmente quando a busca ao dinheiro se torna obsessiva, Deus pode usar exatamente esse atrativo natural do coração do missionário para levá-lo a experimentar uma renovação espiritual e reciclagem de sua chamada.  Quando isso acontece, o obreiro ou obreira acaba percebendo que o Senhor estava em toda a sua trajetória e que a isca fora o dinheiro, coise de seu próprio coração.

9) O brasileiro imigra para outro país e alí se converte e recebe a chamada missionária de Deus.
Na igreja em Nagoia, Japão, pastoreada por meu primo, Pr. Ricardo Barcellos Kitaoka, a presença desses casos é a regra.  Com a maioria de membros convertidos alí no Japão, o processo de discipulado, crescimento espiritual, chamada, treinamento e envio ocorre fora do Brasil.   Hoje com treze campos missionários, incluindo China, Indonésia e Timor, os obreiros brasileiros são frutos do campo missionário.  Em Atlanta, no estado da Georgia, nos Estados Unidos, o pastor João Carlos Rocha, também diretor da Harvest World Netwotk (Rede de Ministérios Colheita Internacional) www.colheita.net, está a frente de uma igreja onde a maioria se converteu nos Estados Unidos. Dali, vários já estão no seminário para treinamento e envio ao campo missionário.

10) O missionário é enviado por uma agência ou igreja e no campo missionário se agrega a outra agência ou igreja.  Nesse caso, o que já foi comentado anteriormente se aplica.  A diferença vem na filosofia e às vezes na teologia da nova agência. Como vimos, inúmeras são as nuances da ida ao campo.  A escolha deste deve sempre incluir a chamada do obreiro, a participação da igreja local e a supervisão e apoio contínuo da agência enviadora, seja ela uma junta da mesma denominação da igreja local ou não.

Dei Gratia!

20/03/2010 Publicado por | Missões - artigos | 1 Comentário

A Procura do Campo Missionário – A8

O obreiro deve diligentemente participar da escolha do Campo Missionário.  Várias são as possibilidades da implantação de uma nova igreja ou ida para um campo já aberto.  As mais comuns são:

1) A junta de missões da denominação ou da igreja do obreiro o envia. Nesse caso, a escolha do campo depende das metas missionárias da junta de missões, porém, em muitas delas o obreiro responde a uma chamada missionária em concordância ou proposta pela junta.

2) Uma agência missionária, destinta da denominação ou igreja do obreiro, o envia.  Nesses dois primeiros casos, a igreja local deve ser ativamente parte do processo.  A responsabilidade primária do envio é da igreja local. A escolha do campo deve em ambos os casos se encaixar na visão da junta de missões ou da agência missionária.  Em discução nas mesas aleatórias do III COMIBAM, em Granada, Espanha, em novembro de 2006, abordamos como parte das reflexões sobre este tema,  algumas questões.  Qual deve ser a participação do missionário na escolha do campo?  Sabemos que as juntas missionárias denominacionais ou não, e agência missionárias enviadoras, têm suas áreas geográficas de ação, e as vezes é impossível responder aos anseios das chamadas missionárias daqueles que querem ser enviados.  Encontramos aqui uma dicotomia: por um lado a agência enviadora (juntas, missões, igreja independente) tem seu programa e alvos específicos a serem alcançados.  Dessa forma, o missionário em potencial responde ao chamado da agência e se apresenta para o campo; de outro lado, cristãos recebem um chamado missionário e comunicam à agência enviadora sua visão.  Neste caso a agência pode incluir o país ou área geográfica em sua agenda, a área podia já fazer parte do programa da agência, ou pode rejeitar a área e sugerir outra.  Algumas vezes a agência, por falta de estrutura no campo missionário desejado e sugerido pelo missionários, ou por razões de segurança, pode enviá-lo a um campo semelhante, até que se forme uma equipe e os arranjos possam ser feitos no tal campo, o que pode demorar alguns anos.  O obreiro, então, passa um período de adaptação naquela área, conhece culturas semelhantes, talvez a língua, e quando a estrutura do campo está de acordo com os padrões da agência enviadoda, ele é remanejado para o campo definitivo.

No congresso chegamos a conclusão de que, primariamente, o missionário é chamado para servir e o ide de Jesus é ao mundo.  Um missionário deve ir onde o Senhor lhe enviar, daí as agências enviadoras se tornam o canal de Deus, via o princípio de autoridade, para a escolha do campo.  Entretanto, Deus envia o obreiro e a chamada também é para o obreiro.  Sua família, quando existente, deve ser parte da chamada e sentir de Deus a sua inclusão.  Temos exemplos na bíblia sobre chamadas geograficamente específicas dadas ao obreiro.  O profeta Jonas foi enviado a Nínive.  O apóstolo Paulo foi enviado aos gentios, mostrando uma chamada com um planejamento estratégico, de certa forma localizada fora do contexto nacional de Israel.  Em outra chamada, Paulo é convocado para passar a Macedônia, o que faz dessa última uma chamada genuinamente geográfica.  Decidimos optar pelas duas possibilidades e até uma terceira, que seria a junção das duas.  A chamada deve ser interna, no coração do obreiro.  Quando não específica, este se adaptará ao serviço onde a agência o enviar.  Muitas igrejas locais vivem esta experências.  Os pastores estão alí por períodos e são remajenados para outra igreja, conforme o programa da área resposável pela escolha do campo, seja p presbitério, a convenção, a junta nacional, o bispo ou qualquer outra estrutura ou agente com este poder.  Quando a chamada for geográfica ou abrange uma etnia, mesmo que espalhada pelas nações, o obreiro comunica este fato à agência enviadora.  Se não houver acordo, deverá procurar uma outra agência, com a mesma visão, mudar sua filiação, mas nunca ir por conta própria, em rebeldia à determinação daqueles que têm autoridade sobre ele.  Alguma vezes, a própria agência vai sugerir ou intermediar essa aproximação – o que seria o mais indicado – e assim, “empresta” o missionário àquela nova agência, sem fechar as portas, além de demonstrar ter uma visão de reino.

3) Uma terceira possibilidade de envio acontece quando a igreja local, independentemente das possíveis juntas de missões denominacionais, e sem o uso de uma agência missionária, decide enviar o obreiro.

4) O missionário de afilia a uma missão ou agência enviadora, onde a filosofia de envolvimento da igreja local é inexistente, ou onde a missão se torna um tipo de igreja local.
Nesses dois casos, aquela se torna também a agência enviadora e esta se torna a igreja local.  Não estamos aqui advogando qual estrutura é a correta.  Nos casos de envio, as consequëncias causadas pelas falhas decorridas da falta de compreenção de onde se encontram as responsabilidades, principalmente quando o missionário já se encontra no campo,  têm trazido muito sofrimento a este e a sua família.  Um caso se espelhar em outro,  cuja estrutura de envio é diametralmente oposta a sua, só traz confusão.  Daí, se uma igreja local deseja enviar um obreiro por conta própria, nunca deve se portar como outra igreja local que enviou o seu missionário via uma agência enviadora.  Neste caso, a igreja conta com tgoda uma estrutura da agência enviadora que, nas ocasiões determinadas irá interagir com o missionário e com a igreja.  Naquele caso, a igreja resolveu fazer tudo sozinha, assim, deve assumir e agir paralelamente como igreja local e agência enviadora.  Sabemos de igrejas locais que ao enviar o missionário por si próprias, se espelham eu outras que unidas às suas juntas de missões, participam menos ativamente dos assuntos e atividades concernentes ao campo missionário, e agem somente no âmbito da vida pessoal do missionário, área esta que deveria estar permanentemente ligada à igreja local.  Assim, o missionário no campo, por não ter uma supervisão do trabalho, uma ação consistente como a que deveria ser dada por uma agência enviadora, se sente como um membro enviado por sua igreja local, porém com uma chamada unica e exclusivamente própria.  Quando não há participação de uma agência enviadora nos trabalhos do campo e no desenvolvimento dos projetos, o missionário sente que o que ele está fazendo não é importante, que a sua visão e chamada é pessoal e que a participoação da igreja local ou da agência é somente consigo e não com o campo.  Quando a igreja ou a agência não participa da vida e família do missionário, e sua comunicação tem só a ver com os trabalho do campo, o obreiro se sente um zero a esquerda, um instrumento de uso para que os alvos da igreja ou da agência sejam alcançados.

De uma forma bem simples deveríamos dividir as responsabilidades e participações dessas três áreas: o obreiro e sua família, a igreja local, e a agência enviadora.  À família cabe a unidade, a chamada, o preparo, a segurança, o sustento e a educação dos filhos. Como parte integrante da família, cabe ao missionário o desenvolvimento do projeto, o amor e exemplo no campo e em casa, a submissão à agência e à igreja, e a busca de unidade com outros missionários e pastores locais.   A igreja local deve ter parte ativa na preparação para o envio, responsabilidade com o treinamento, ensino e responsabilidade teológica, levantamento e envio de sustento para o campo, cuidado pastoral antes, durante e depois da volta do obreiro e de sua família, investidura de autoridade, certeza de que o obreiro é maduro e espiritual, oportunidade do missionário desempenhar funções e ser mentoreado no período que precede seu envio, para seu crescimento administrativo e exposição  a situações que deverá encontrar no campo missionário, ordenação quando for o caso, visita do pastor ou comitiva ao campo, participação espiritual e emocional da igreja, mantenedores locais, amigos e família nas ocasiões especiais como aniversários, natal, e datas importantes, contato constante por carta, telefone, email e outros, inclusão do missionário e família na vida da igreja, boletins, websites, lista de emails, para que ele e sua família se sintam ainda parte do corpo local, hospedagem durante os períodos de regresso e reintegração caso haja a volta, cuidado para que na volta não seja sobrecarregado de reuniões, caso venha para visitar a igreja, preparação da igreja para receberem a família que volta, por curto período ou definitivamente, minimizando assim o contra-choque cultural.  A agência enviadora deve ter parte ativa nos filtros específicos antes do envio, se certificando de que o obreiro e família estão prontos para o campo, comunicação e preparo especificos sobre o campo, transparência sobre os riscos, clareza nos propósitos e alvos, planejamento em conjunto, comunicação constante e visita ao campo, intermediação no levantamento de sustento, apoio à igreja local no cuidado integral do missionário, prover seguro de saúde, remoção em caso de emergência, acompanhamento do projeto, honrar o seu missionário, promover ou custear sua participação em congressos de reciclagem  ou retiros espirituais, incentivar o apoio e política de boa vizinhança com outras agências e missionários da mesma área.  Muitas vezes é através de uma outra agência ou de outro missionário que encomendas ou conhecimento de situações melindrosas vão e vem.  Muitos missionários temem as igrejas locais e suas agências e durante os períodos de visita ao campo, ou de retorno à base, omitem os problemas, se sentem impelidos a compartilharem somente as benção.  Por outro lado as igreja ou algumas agência acabam se esquecendo de que existe um missionário no campo, com sua família, e que eles vivem todos os dias.  Parece que muitos creem que os missionários se alimentam de vento e que a tudo devem responder com um sorriso.  Outros acreditam que todo missionário deve estar no campo para sofrer e que isto faz parte do treinamento de Deus.

A agência deve ser a defensora, a advogada, a conselheira, a facilitadora, o ombro amigo mais forte, com o que o missionário e sua família podem contar.  A agência não deve ser vista nem sentida como o patrão, o espião, aquele que pode a qualquer momento fazer perecer o sonho e o chamado missionários.  Como o amigo virtual e pastor missionário no Chile, Boaventura Jr., milhares de outros sofrem e não encontram saida.  Segue uma carta que recebi dela.  Foi um desabafo depois de ter superado uma grande crise de abandono que passou no campo missionário com sua família.  Lembro-me de seus emails naquele tempo onde compartilhou que fora enviado ao campo por uma igreja que durante 10 meses não deu qualquer sustento financeiro ou apoio.  Nossa igreja aqui no Texas se comoveu tanto ao ver fotos e saber que para sobreviver a esposa e o filho vendiam batata frita em uma mesinha na calçada, que resolvemos apoiá-lo. O que resultou foi a sua volta ao Brasil para fazer, conforme aconselhamos, uma mudança radical de igreja e de agência enviadora. De volta ao Chile, devidamente apoiado por uma nova igreja, seguiu-se o natural sucesso ministerial.  A chamada e o amor missionários eram reais.

Veja a carta desabafo desse missionário na postagem “Desabafo Missionário”

Dei Gratia!

20/03/2010 Publicado por | Missões - artigos | Deixe um comentário

Línguas dos Homens. A7

O aprendizado da língua estrangeira é parte integrante da chamada missionária.  Não existe nem início de argumento para aquele que se diz chamado à obra missionária e não quer ou não se esforça para aprender o idioma do país para onde está indo.  Na verdade, o bom missionário, estuda e se prepara antes da ida.  Hoje em dia é muito fácil se encontrar bons cursos de inglês ou de espanhol no Brasil.  Como estamos enfocando a implantação de uma igreja missionária nos Estados Unidos, as línguas a serem estudadas devem ser essas duas.  O missionário brasileiros nos Estados Unidos deve falar três idiomas: o portugês, o espanhol e o inglês.  O tempo de domínio do espanhol, para comunicação básica é de seis meses em média, e do inglês, dois anos.  Para os jovens, frequentando escola diariamente, esse tempo é notadamente menor.  O problema do aprendizado dessas duas línguas fora dos Estados Unidos é a questão da pronúncia.
Muitos imigrantes vêm do Brasil com um inglês péssimo, mesmo tendo cursado alí esse idioma.  Mas, como diz o adágio popular, é melhor um passarinho na mão do que dois voando.  É melhor se chegar ao país estrangeiro com o domínio de sua língua, mesmo que o sotaque seja carregado.  Fato interessante se dá com o espanhol, pois, na América Latina, cada país tem o seu próprio sotaque e muitas palavras diferenciadas.  Assim, dependendo do aprendizado do professor, o aluno carregará tanto o sotaque quanto as expressões regionais, distintas das usadas nos Estados Unidos, que são predominantemente mexicanas em vários estados do sul, cubanas na Flórida, e um amalgamento na área da Nova Inglaterra, estados do nordeste americano.

Existem muitos colégios e obras sociais, incluindo igrejas, que viabilizam o aprendizado do inglês por preços módicos ou até com taxas simbólicas.  O nome usado para esse curso destinado aos estrangeiros é ESL (English as Second Language) que são as iniciais para Inglês como Segunda Língua.  Nas escolas que correspondem ao primeiro e segundo graus no Brasil, o aluno estrangeiro recebe, como parte de seu currículo, aulas de ESL.  Há também cursos pela internet, cursos em DVD, escolas de línguas, enfim, a oferta é maior que a demanda.

Uma maneira de se aprender outro idioma com mais facilidade, rapidez e prazer, é através da música.  Temos uma capacidade incrível de memorizar os sons ligados a uma linha melódica.  Hoje, pela internet, é fácil se baixar as letras de quaisquer músicas, principalmente nos idiomas aqui abordados.  Com o auxílio de um amigo conhecedor do idioma que estivermos aprendendo, podemos entender tanto as traduções das palavras quanto a interpretação da letra.  A repetição é a forma ideal para o aprendizado.  Passamos muitas horas por dia, principalmente nos primeiros meses em um novo país, de maneira mais introvertida, no que diz respeito à comunicação.  Com pequenos gravadores ou tocadores de mp3, podemos passar horas nos exercitando na nova língua, sem prejudicar trabalhos manuais que estivermos executando.  A televisão também dá um grande apoio à capacidade de se separar os sons das palavras.  No início, o inglês parece um idioma com palavras enormes. Nunca sabemos quando o som de uma palavra termina e quando começa o de outra.  Sabemos falar e entender o vocábulo quando separado da frase, mas como os sons se juntam, perdemos os limites.  Muitos aparelhos de televisão têm a propriedade de escrever as palavras faladas na parte inferior da tela.  Assim como nos filmes com legenda, você poderá ouvir e ao mesmo tempo ler o que está sendo falado.  As palavras ficam então mais fáceis de se identificar e o tempo gasto para o aprendizado da língua, será altamente recompensador.  Uma sugestão seria se ter um canal em inglês, via satélite ou cabo, enquanto a família missionária se prepara para imigrar.  Religiosamente todos poderiam investir um bom tempo para por esse processo aprenderem a diferenciar os sons e aumentarem seu vocabulário.  O importante é a junção do som contínuo, rápido, com as legendas.

Uma vez nos Estados Unidos, o primeiro ano deve ser devotado ao aprendizado da língua e cultura americanas, concomitantemente aos afazeres hodiernos.  Deve ser dada especial atenção à pronúncia, pois uma vez aprendida errada, se queda viciosa.  O isolamento cultural, muito praticado em comunidades brasileiras no estrangeiro, apresenta uma falsa ideia de assentamento.  É altamente prejudicial a desistência ou a falta de valorização do aprendizado à língua do país onde queremos viver e ministrar, mesmo quando o objetivo primário for a implantação ou pastoreamento de uma igreja de nossa própria cultura. Trataremos das implicações de um ministério com esse perfil, em um capítulo posterior.  E experiência demonstra que é impossível o total isolamento da cultura hospedeira, e os que se arriscam nessa senda acabam criando guetos culturalmente insustentáveis, com inúmeras variações de males que atingem, primeiramente, nossa família, envergonham e apartam nossos filhos, prejudicam a igreja, bitolam nosso ministério e abrem portas a questionamentos que os nacionais impreterivelmente farão.  O apóstolo Paulo e o próprio Jesus falavam mais de um idioma.

O conhecimento da nova ou novas línguas da área onde viveremos como luz do mundo, é parte integrante de nossa chamada missionária.  Se Deus nos chama, ele também capacita.  Com a capacidade garantida, a habilitação é a nossa parte nesse processo missionário.  O valor de uma alma redimida para o Senhor é incalculável.  Se Deus nos dá uma vocação e a complementa com a chamada missionária, cabe a nós o esforço e os passos em direção à habilitação.  Quando chegamos à juventude e desejamos conduzir um veículo, pecisamos ser capazes.  A capacidade nos é dada por Deus, através de uma mente sã, visão e saúde fundamental.  Muitos deficientes  físicos, em automóveis adaptados às suas necessidades, são também capazes de manejar com segurança um veículo.  Mas se a saúde ou complexão física chegam ao ponto de incapacitá-los, de moto próprio escolhem uma outra forma de locomoção, entendendo que nossa adaptação ao meio ambiente, também é dom divino.  Todos os capacitados a dirigir um veículo, o são em conseqüencia do que são e têm.  Já a habilitação, corresponde ao outro lado da moeda.  Nos habilitamos naquilo em que somos, já por natureza, capazes.  Ter capacidade de conduzir um veículo não nos faz habilitados.  Para tal, precisamos nos aplicar ao estudo, receber conhecimento e prática, tutela e monitoramento.  Carecemos enterder as leis que governam nossa nova área de habilitação e a elas nos submetermos.  Em algumas culturas, os carros são guiados e trafegam pelo lado direito das vias, como no Brasil e Estados Unidos.  Já em outras como Inglaterra e Cingapura, pelo lado esquerdo.  Quem tem razão?  Qual lado é o correto?  Logicamente o lado correto é aquele onde as leis de trânsito locais exigem.  Dessa forma, demostrando uma figura cultural, devemos nos habilitar na língua e cultura onde dirigiremos nosso ministério.  O Senhor já nos deu capacidade de fazê-lo.  Temos uma mente sã, inteligência, uma chamada de Deus para a obra missionária, sabemos ler e escrever e, consequentemente, através de sentidos como a visão e/ou audição, somos capazes de nos achegar à língua estrangeira, porém, para habilitarmo-nos, precisamos gastar tempo e prática, para que em seu manejo, não venhamos, como aconteceria certamente na direção de um carro,  a causar acidentes até fatais, em nosso ministério, igreja, família e comunidade onde deveríamos estar para ser benção.

Um grande engano, principalmente dos pastores e missionários que saem para um campo missionário distinto da cultura e língua imigrantes que alí se estabeleceram, como é o caso da comunidade brasileira em solo americano, é presumir que a língua local é dispensável, já que o ministério será levado entre os seus próprios compatriotas.  Bastariam umas poucas semanas para se dar conta que pecou, isto é, errou o alvo.  As comunidades imigrantes estão permeadas de pessoas e relacionamentos locais.  Muitos imigrantes se casam com os da terra.  Filhos de imigrantes aprendem a língua daquela nação.  Cartas das escola, contas a pagar, aluguel, compras, negócios, convites, cursos, oportunidades, legislação para legalização dos estrangeiros, leis, sinais de trânsito, oportunidades de testemunho e ministração aos anfitriões, contato com as autoridades, alertas sobre perigos iminentes, necessidade de socorro, contato com hospital, problemas de toda sorte dependem de uma comunicação adequada.  Os hospedeiros, geralmente, se irritam com estrangeiros que não se dão ao caso de, pelo menos, aprenderem a se comunicar na língua local.  Muitos, em uma atitude inpensada, acabam gritando com os imigrantes, como causa natural de queremem ser entendidos e confundem a inabilitação do que veio de outras terras com surdez, o que os leva a falarem em volume mais alto, chamando a atenção dos que estão ao redor, e envergonhando o já inadequado imigrante.

O respeito que notamos ao respondermos à altura com educação, conhecimento do idioma e respeito à cultura local,  é divinamente compensador.  Deus nos faz ver que valeu a pena estudar.  Paulo, para se fazer grego com os gregos, falava grego.  É bonito ver um obreiro brasileiro fazendo aconselhamento pastoral a um casal culturalmente mixto.  Temos em nossa igreja vários brasileiros casados com americanas e vice-versa.  No gabinete pastoral é comum se falar aos dois alternando-se os idiomas.  Quando os dois falam as duas línguas, falamos ao cônjuge brasileiro em portugês e ao americano em inglês.  A língua natal é uma das forças mais decisivas na expressão dos sentimentos, reações psicológicas e manifestação de fé.  A Palavra de Deus nos exorta a darmos honra a quem se deve honra e respeito a quem se deve respeitar (Rm 13:7b).  Também, em 1 Reis 20:11 diz: “Não se gabe quem se cinge como aquele que vitorioso se descinge”.  Buscar honra e respeito somente sendo honrado e nos dando ao respeito.  Um missionário, embaixador de Deus, deve com todo zelo se cingir com o uniforme de estudante de ssa nova cultura que está para desbravar e vitorioso cambiar o uniforme de aluno para o manto de mestre, servindo aos locais com todo amor, vocação e habilidade de mestre.

Dei Gratia!

10/03/2010 Publicado por | Missões - artigos | 1 Comentário

O Choque Cultural. A6

O Complexo de imigrante.

O moço nasce e cresce sem se preocupar com o futuro. Na adolescência começa a sonhar. A menina do interior pensa num bom casamento, as mais dedicadas ao estudo pensam em ser professoras. A vida começa a deixar de fazer sentido quando os problemas dos pais e as dificuldades até então camufladas pelos tempos de brincar, passam a assumir lugar de um monstro da realidade.  O migrante brasileiro, abrangendo várias idades, se translada à cidade grande como um peixe fora d’água, um corpo sem ligações culturais que façam sentido.  A família e as amizades ficaram para trás. Em sua terra era conhecido, tinha nome; na metrópole é mais um tentando sobreviver e enviar algum dinheiro para quem ficara torcendo e orando por seu sucesso.

O tempo passa e sua base cultural se esvai. Seus amigos, possivelmente, passam ou passaram por experiências semelhantes. Muitos se tornam duros, insensíveis, vacinados. As meninas têm sorte pior, atacadas por propostas e encurraladas pelo senso de sobrevivência. Quando o dinheiro dura um pouco mais que o comum, uma viagem apressada de uma semana mata as saudades e põe em dia os assuntos por muito esquecidos. Como num túnel do tempo o migrante está de volta ao seu passado. Ali fora tratado como filho da terra, gente amiga confiável e conhecida. Por algum tempo se esquece das humilhações que, por amor aos parentes e amigos, ou por vergonha de ter maculado a honra, esconde e omite, mudando de assunto se sua privacidade é ameaçada.

De volta à cidade gigantesca que o espera com sons e odores que há muito se entranharam em seu ser, tem uma estranha sensação – ele gosta dali.  Foi bom ter voltado no tempo e espaço, rever a dona da quitanda, conversar com os amigos de infância, agora casados, mas um estranho sentimento lhe diz que ali, na selva de pedra, nos tumultos do trânsito, ele encontrou seu destino. Como um híbrido terá de encarar a realidade de sua mutação. Não é mais a mesma pessoa da cidadezinha, não se adaptaria naquela roça, nem se sente como os que nasceram na capital. Quem sou eu? Com muitos anos de desvantagem em relação aos nascidos ali, trabalha em dobro, para tirar a diferença.

Agora casado, com raízes se aprofundando, trazer os parentes para visitá-lo ou acolhê-los como agregados, se torna o fruto de tantas madrugadas divididas entre um trabalhinho extra e cochilos no ônibus, ao caminho de casa.

O híbrido descobre que não é híbrido. É, na verdade, como a maioria, nômade por natureza, ser humano no cosmo dinâmico. A idéia de que os naturais daquela região são privilegiados é vaga. A maioria que conhece está na mesma situação dele. O sucesso ou fracasso não depende da origem, mas da garra com que encararam a vida. Na verdade ele descobre que nativos daquela terra têm as mesmas preocupações, no entanto suas dificuldades não podem ser atribuídas à migração, o que os tornam mais decepcionados e frustrados.

Nós, com a desculpa de sermos estrangeiros em terra estranha, temos um aliado psicológico atuante e poderoso. Como o migrante do interior, nós, os imigrantes brasileiros, somos a princípio um povo sem terra, descalçado de sua cultura, afligido por todos os lados, mas vitorioso e de garra. A facilidade que temos em ajeitar, improvisar, superar, adaptar, serve de catapulta que nos lança ao trabalho como nunca experimentamos no Brasil. Quem já não disse: Se você trabalhasse assim no Brasil já estaria rico.

Estamos fazendo o que nossos antepassados fizeram. Ter coragem de desbravar um novo mundo e proporcionar aos nossos filhos um futuro que julgamos ser melhor. Nossas raízes, responsáveis pelo nosso calor, pelos valores de família, pela alegria irradiante, até em meio aos infortúnios da vida, jamais serão perdidas. Aos que aqui estão temporariamente, recebem de nós, os que nos alicerçamos em solo estrangeiro, suporte e ajuda para armarem suas tendas.

Descobrimos, depois que a tempestade passa, que outros barcos, tais como o nosso, vindos de todas as partes deste planeta, vagaram por um pouco à toa, mas foram norteados pelo mesmo altruísmo que um dia reunimos para enfrentar a fila, aquela fila que, com nosso destino em suas mãos, brincou de mamãe mandou bater nessa daqui – Pode buscar seu Visto amanhã. O que era utopia foi descartado, a realidade brotou em forma de conquista e nossa comunidade verde-amarela global, cada vez maior, mais organizada e espalhada, é o nosso Brazil, menor, com menos recursos, mas tão brasileiro – e às vezes até mais brasileiro – quanto o nosso Brasil, também nosso.

Choque cultural é a passagem por essa senda mutante e irremediavelmente de uma só via.  Choque cultural é comer abacate com feijão.  Choque cultural é entender a diferença entre relacionamento e envolvimento, entre a maneira americana de ser, em meu caso, e a maneira brasileira de existir.

Dei Gratia!

10/03/2010 Publicado por | Missões - artigos | 1 Comentário

Documentos e Sustento. A5

A documentação legal para se entrar num país e alí permanecer tem sido um grande obstáculo à obra missionária.  Como tudo isto pretence ao sistema que rege este mundo, Satanás tem grande atuação nessa area.  Uma visa deve ser solicitada com base na verdade, fé, oração e convicção da chamada.  Deus é o Rei do universo e pode, como tem feito inúmeras vezes, fazer milagres nessa area, abrir portas que ninguém fecha.

Qualquer mentira para se conseguir uma visa será base legal para interferência malígna no empreendimento missionário.  Devemos fechar todas as brechas e revestí-las de verdade e fé. “Se Deus é por nós, que Consul ou Embaixada será contra nós”.  Entretanto reforço a ideia de que esta area deve ser coberta por intercessão, orações e súplicas por todos os santos em favor de todos os minssionários.

A decisão de se estar em um país para alí cumprir um chamado e ministério de Deus, deve lever em seu bojo a firme determinação de se ir até ao fim.  Inicio com uma visa de turismo, se for sondar o campo.  Segue-se a ela uma mudança para uma visa religiosa, daí documentação de residente permanente, nos Estados Unidos chamada de “Green Card”, e por fim o processo de naturalização.  Isso demora em torno de dez anos, mas é necessário e altamente produtivo.

Se Deus me chamou para este país, devo me mudar como Abraão se mudou, com certeza, fé e sem deixar raízes para traz.  Não somos árvores.  A obediência ao IDE é clara, não existe o IDE e VOLTE.  Sempre é IDE, mesmo que este seja para ir novamente ao país de orígem.  Me lembro de um ditado que dizia que o bom soldado nunca recua, dá meia-volta e ataca.  Um missionário sempre vai.  Em indo, vai por inteiro.  Os que ficaram para trás são amados, merecem sua visita esporadicamente, mas seu coração, esforço e bens devem estar onde Deus o enviou.  No caso de um projeto temporário, pré-estabelecido com a igreja e claramente delimitado com tempo de ida e vinda, o que disse acima não se aplica, evidentemente.

O mal do missionário que não se permite amalgamar com a cultura hospedeira e assimilar suas nuances, é sua impertinente ligação com os “melões e cebolas do Egito”.  Se o pastor pega no arado, não olhe para trás.

O melhor teste para ver se o Senhor realmente lhe deu uma chamada para ministrar a um outro povo, ou em outra nação é estar disposto a passar seus últimos dias alí, ver seus filhos casados com nacionais daquela terra e seus netos falando numa outra lingua.  Ser missionário significa ser imigrante.

Seu sustento no campo missionário deveria ser provido pela igreja que lhe enviou, porém há muitas situações em que você mesmo levantará seu salário.  Fazedores de tendas estão presentes em todo o escopo missionário.  Muitas vezes, em alguns países, este é o único meio efetivo de sustento.  Uma igreja recém-formada não requer muitas vezes o tempo integral do pastor ou missionário.  Um pastor que não trabalha secularmente pode ser visto como preguiçoso se não tem o que fazer na igreja.  Se sua igreja ou junta enviadora prove o sustento total, gaste seu tempo estudando a língua, as leis do país para ajudar os imigrantes, ou faça um curso teológico.

Um pastor que não tem o que fazer no campo missionário não entende de campo.  Sabemos que em países do primeiro mundo é muito difícil administrar o tempo de visitas, evangelismo e programações na igreja.  Nos Estados Unidos, é praticamente proibida a evangelização nas ruas.

Visitas, se para brasileiros que alí vivem e trabalham, são raras as oportunidades durante a manhã ou a tarde.  Todos trabalham muito, às vezes até as dez da noite, as crianças ficam na escola até as três ou quarto da tarde, uma visita importuna não é producente.  Programações nas igreja não atraem muitos membros durante a semana.  Depois de uma igreja estabelecida, o povo vai ajustando seus horários e prioridades.  Hoje nossa igreja tem atividades todas as noites, mas no início, qualquer reunião durante a semana era um suplício.  Hoje temos membros que atuam em todas as areas, nos primeiros três anos, eu e minha família abríamos a igreja, limpávamos, arrumávamos as cadeiras, eu tocava guitarra, cantava, pregava, fazia o apelo, arrumava a igreja, fechava o templo, chupava cana e assobiava.

O início de um ministério no exterior vai colorir todos os próximos anos.  Um pastor deve gastar seu tempo integral em trabalho, observadas logicamente horas e horas de preparpo, oração e meditação.  Tenho visto missionarios que gastam algumas horas por dia no ministério e a maior parte ficam em casa, aguardando o domingo para pregarem.  Se não tem o que fazer procure um trabalho.

Dei Gratia!

10/03/2010 Publicado por | Missões - artigos | Deixe um comentário

A Família do Missionário. A4

Paulo, muito sabiamente inspirado pelo Espírito Santo, alertou ”O que realmente eu quero é estejais livres de preocupações.  Quem não é casado cuida das coisas do Senhor, de como agradar ao Senhor;  mas o que se casou cuida das coisas do mundo, de como agradar à esposa, e assim está dividido… Digo isto em favor dos vossos próprios interesses” (1 Coríntios 7:32-33, 35a).

Sabemos por experiência que o jovens missionários solteiros tem mais mobilidade e muito menos problemas para se preocupar que os casados.  Por outro lado, o missionário casado tem muito mais suporte emocional, sentimental e espiritual quando sua família está presente e ativamente participando da visão e ministério dados a eles.  Por esta razão é importantíssimo a participação da família no planejamento, oração e decisão para cumprirem o mandato de Deus.  Se Deus chamou, Ele dá paz, amor e esperança aos corações.  “Ora, a esperança não confunde, porque o amor de Deus é derramado em nossos corações, pelo Espírito Santo que nos foi outorgado” (Romanos 5:5).  “Seja a paz de Cristo o árbitro em vossos corações” (Colossenses 3:15a).

A ideia de se ir ao campo missionário e deixar a família para trás, além de anti-produtiva, pode ser uma tremenda armadilha espiritual para o obreiro, cônjuge que fica e filhos.  A Bíblia nos ensina que uma separação do casal deve ser somente temporária.  Um grande período de separação pode trazer resultados irreparáveis à família, ministério e muitas vezes ao campo missionário.

É bom que os pais se conscientizem que seus filhos, dependendo das idades, serão TCK’s (Third Culture Kids), ou seja, Crianças da Terceira Cultura, além do agravante por serem filhos de pastor ou missionário (PK, preacher kid, em inglês, filho de pregador).

Os primeiros dois anos no campo missionário no exterior, se não houver uma comunidade brasileira organizada, vão desgastar muito a família.  Um cordão de três dobras, bem traçado, será a garantia de estabilidade emocional familiar.  Todos devem estar com uma divina expectação de vitória, de cumprimento da vontade de Deus, senso de destino abençoado que fortifica os laços familiares e dá bom testemunho aos de fora, principalmente aos que serão alcançados.  Como alguém já disse “pregue o evangelho a todo o tempo, e quando for necessário fale”.  A família missionária deve ser referência, sal e luz, entre uma cultura distante de Deus ou entre sua própria cultura, distante de sua terra natal.  Em ambas as situações um referencial embasado em verdade e transparência é decisivo.  A família é a maior arma que o missionário tem para isso, ou o maior entrave.    Cuide primeiramente dela, antes de se arvorar a cuidar de um campo missionário, ou de uma igreja.

Dei Gratia!

10/03/2010 Publicado por | Missões - artigos | Deixe um comentário

O sustento missionário. A3

Há muitos anos atrás, quando ainda era sustentado como missionário pela ”Shady Grove Church” em Grand Prairie, Texas,  no início da implantação da Comunidade Cristã Brasileira em Dallas, assisti à Conferência de Missões realizada todos os anos por esta igreja, onde se levantava o sustento para todos os missionários enviados ou sustentados por ela.  Eu era um deles.  Naquele ano, o alvo da igreja era me dar uma “van”  além do sustento mensal em salário.  O valor estipulado para a oferta que compraria a “van”  foi de cinco mil dólares.  A Igreja “Shady Grove” sempre fez um tipo de leilão de missionários que eu achava incrível.  Dois pastores, Monty Smith e o missionário convidado Wayne Mayers, do “Christ For The Nations Institute” estavam apresentando os alvos de cada missionário, com projeções no telão.  Numa conferência que durava três dias, os participantes, que geralmente também eram membros da igreja, levantavam, cada um per si, suas mãos, indicando quanto por mês se comprometiam em dar, via àquela igreja local, a cada projeto missionário.  Esperei com amor o momento do meu projeto.  Precisava de uma “van” para buscar brasileiros que não tinham carro, para o culto.  Chegou a minha hora.  Estava orando e crendo.  Pareceu um milagre.  Wayne Mayers perguntou se não havia alguém ali disposto a doar toda a quantia para a compra do carro.    Uma mão se levantou.  Uma pessoa votou toda a quantia.  Meu alvo fora alcançado e o problema resolvido.  Pura ilusão.  O senhor que levantou a mão não cumpriu sua promessa.  Fiquei sem carro e o prejuízo em tempo foi grande.  Se aquela pessoa, muito bem intencionada, porém mal sucedida, não tivesse interferido, muitos membros votariam pequenas quantias e, mesmo com algumas desistências, eu teria uma

grande parte das ofertas para o projeto missionário.

Quem não pode sustentar completamente, seja sincero, diga com quanto, e se houver limite de tempo, deixe claro.  Cabe então ao pastor enviado calcular os riscos, pois circunstâncias virão onde ele precisará do sustento prometido e até de extra.

A igreja que envia deve entender que ao sair do convívio local, o obreiro deixa de ser membro, e passa a ser um missionário.  Para ser membro, é necessário se fazer parte de um corpo local.  Todos nós somos membros do Corpo de Cristo, porque este corpo habita localmente na terra e Jesus participa de toda a sua Igreja.  Quando falamos a respeito de um corpo de igreja local, está implícito que são parte dele aqueles que localmente se congregam.  Qualquer outra afiliação que não leve em conta a necessidade da participação física à “koinonia” da igreja, rebaixa a membresia ao status de sócio.  O exemplo que Paulo nos dá do corpo humano se refere à Igreja, a Noiva de Cristo, da qual, independente de onde estivermos, somos parte integrante.  A nível de igreja local, membros estão ligados àquela congregação.

A lealdade de um pastor enviado deve ser para com a sua igreja local no que tange à chamada, desenvolvimento do ministério, afiliação e visão local.  Os compromissos assumidos com a igreja que o enviou devem deixar campo suficiente para que o pastor tenha poder de decisão quanto às direções dadas pelo Espírito Santo para a igreja no exterior.

Embora, com a economia brasileira lutando contra a prosperidade, a visita de representantes da igreja matriz ao campo missionário, trará muito apoio, carinho e encorajamento aos obreiros no exterior.  Missionários americanos no estrangeiro, voltam aos Estados Unidos a cada cinco anos para um período de descanso e reciclagem, que

chamam de “furlough” .  Muitos missionários brasileiros passam anos sem poder retornar ao Brasil para rever a família, amigos e a igreja que os estão sustentando, por razões puramente financeiras.

Existem casos, e não são poucos, onde não existe uma igreja para enviar.  Missionários ligados à missões indenominacionais, ou interdenominacionais, tem nessas organizações a sua comunidade de santos. Se a submissão ministerial e desenvolvimento da vida cristã são feitas exclusivamente nessas entidades, então elas fazem o papel da igreja local.  Elas são a igreja local desses pastores.  Quando um missionário da JOCUM trabalha com uma igreja local, a autoridade sobre ele é a do pastor daquela congregação, enquanto ele ali servir.  Porém, terminado o seu tempo naquele campo ou ministério, a autoridade latente do seu líder, na Missão,  volta a atuar na benção do próximo envio, a não ser ele se desligue da  Missão e se integre à igreja como obreiro.  Nesse caso,  enquanto o missionário pertence à Missão, ele pode ser membro da igreja, mas é missionário da JOCUM.  Se ele se desliga da Missão e permanece na igreja, continua membro local e passa também a ser um missionário daquela igreja.  Qual a diferença?  Autoridade, visão e destino.

Quando o brasileiro vem para o estrangeiro e aqui se converte, cresce e decide se entregar ao ministério, não haverá igreja para enviá-lo.  Ele já está aqui.  Mesmo sem qualquer vínculo com igrejas brasileiras, ele deve procurar o apoio, a benção do envio, e estar debaixo da autoridade daquela igreja.  Se houver posteriormente uma emancipação, ou por alguma outra razão um rompimento com a igreja matriz, é mister se procurar um corpo, uma igreja, uma convenção, outras igrejas, um “network”  e sob um deles se posicionar como igreja local, mesmo que esta união não seja jurídica.  Aliais, as uniões que mais permanecem e crescem são as que tem as suas bases fora da letra e arraigadas no espírito.

Quando um missionário se encontra abandonado por sua igreja, e por muito tempo se posterga a solução do problema, o caos se instaura e o desespero rouba toda a paz e tranquilidade de se viver uma vida exemplar no campo missionário.

O missionário BJ, escreve desesperado buscando um ministério que o adote:

Que a Doce Paz de Jesucristo esteja com vocë.

Fiquei muito feliz com seu contato em días de intensas angústias. Antes de informar-lhe sobre o trabalho que venho fazendo aqui no Chile, ressalto alguns pontos onde os amados poderiam colaborar comigo. Estou no Chile há quase dois anos, fui abandonado por minha Igreja no Brasil, e estamos passando por um processo bem difícil no momento. Gostaria de saber, se existe a possibilidade de o amado irmäo conseguir uma Igreja ou um Ministério que possa adoptar-me?

Assumi uma Igreja na capital do Chile há 06 mëses com 09 pessoas, hoje estamos com 30 a 35 pessoas congragando em nossas reuniöes. A Igreja é (Nome da Igreja). Fazemos parte da (Nome da Convenção ou Junta Denominacional). Tenho fotos, se o irmäo se interessar, poderei enviar por e-mail. Estamos trabalhando no bairro mais PERIGOSO de Santiago, chamado “LA LÉGUA”. Deus está fazendo uma obra poderosa.

Meu único problema é a situacäo financeira. A vida no Chile é mui cara. A moeda chilena frente ao Real é muito forte. Necessito de U$ 550 dólares para viver como justo no Chile. Sou casado, tenho quatro filhos que me ajudam intensamente na Obra Missionária. Minha esposa chama-se: R, meus filhos: R, F, M e J. Tenho um filho adoptivo chileno que se chama E de 19 anos. Estava vivendo na rua, dormindo nas pracas e na praia.  Deus cambiou sua vida. Está vivendo conosco há um ano e meio.

Orem por nós para que Deus possa nos ajudar a conseguirmos um sustento, para que näo voltemos ao Brasil. E necessitamos dessa decisäo até o fim de Março porque meus filhos tem que estudar, e ainda näo estäo estudando por näo termos condicöes de pagar as matrículas e comprar os materiais escolares. OREM POR ISSO! Saludos a todos ustedes.  Vuestro siervo en Cristo, Missionário BJ.

O caso do irmão BJ é muito comum nos campos missionaries.  Essa carta que recebemos por email foi em resposta a um convite para participação em uma Conferência Missionária.  Seu desespero era tanto que ele desabafou quando sentiu a menos possibilidade de atenção.  Às vezes o missionário entra em crise de chamada e até mesmo desconfia se Deus está se importando com ele.  Por receber um convite para uma conferência, seu coração recebeu um novo alento.  A resposta que dei ao seu email foi literalmente seca.

Amado irmão BJ.  Essa é a situação de inúmeros missionários.  Estarei conversando com a direção de missões de nossa igreja para ver se a gente tem
alguma ideia.  Uma das razões de nossa Conferência Missionária é justamente para tratar desses assuntos de missões no Brasil.  Resumidamente, me fale de sua vida, chamada e preparo para o Campo Missionário. Qual foi a igreja que os enviou?  Por que pararam o sustento? Em Cristo. Pr. Julio B. Pinto

Naquela tarde falei com o nosso departamento de missões e resolvemos ajudá-lo temporáriamente, enquanto levantaríamos sua história.  Se a situação chegou a este ponto é porque houve falhas, e não poucas, na preparação e definições do ministério.  Segue-se sua resposta, que narro para dar uma ideia dos sofrimentos que podem ser evitados com relacionamentos partidos, afiliações rompidas, senso de abandono e crises de baixa-estima.

Companheiro.  Seu e-mail ascendeu uma nova chama de esperança. Eu estudei na Escola de Missiöes (nome da escola e da denominação)   Sou credenciado na  Secretaria Nacional de Missöes sob o  n° 1566.  Fiz estágio no Paraguai, onde nossa turma conseguiu ganhar para Jesus, 780 almas na  cidade de Pedro Juan Caballero, fronteira com Mato Grosso.

Fui enviado pela Igreja tal, em tal cidade, pastor EM. Após a direção da igreja verem que Deus tinha me chamado, me enviaram a Estudar na Escola de Missões.   Fiquei em regime interno, e minha Igreja me sustentou em tudo. Voltei e entäo começaram as lutas.  Fiquei de 2000 a 2003 sendo interrogado, avaliado, etc.  Fizemos um culto de envio para o campo, e viajei com minha família, sem recursos nenhum. Só tinha R$ 700 reais, para uma economia agressiva como a chilena. Mesmo assim, me prometeram ajudar, enviando sustento, etc. Mas a fé que eu tinha, era inabalável. E assim, temos vivido sem salário até o día de hoje. Voltei ao Brasil em Abril do ano passado, e novamente conversei com meu pastor e os obreiros, e renovei o acordo com eles.

Voltei para o Chile, em uma viagem de 04 días de onibus, com crise de rins, urinando sangue toda viagem. Cheguei em casa, fui direto para o hospital. No mës de julho do ano passado eles enviaram as passagens para eu voltar ao Brasil. Mas eu näo quis voltar, pelas coisas que Deus está fazendo em nossa igreja, e pela necessidade que essa nacäo tem de voltar-se para Deus. Estamos com as passagens em aberto, porém, como as coisas estäo, näo suportamos mais. Viver assim näo é possível!

Estamos sem auxílio Ministerial, Emocional, Psicológico, näo temos com quem nos desabafar, solicitar ajuda, pedir socorro. Minha esposa está desgastada, meus filhos estäo chocados com essa situacäo. Sem estudar, porque näo temos como pagar as matrículas nem comprar material. Minha esposa está um ano e sete meses sem fazer uma consulta médica (ginecológica), meus filhos sem ir ao dentista, sem roupas, calçados, etc. Eu creio que o irmäo pode imaginar nossa situacäo.  Por outro lado a igreja está crescendo, avivada, estamos trabalhando com uma comunidade difícil, por causa das drogas, roubo, homicídio, tráfico, etc. O melhor de tudo é que Deus está respaldando. Seu amigo e servo.  Pr.  BJ  Santiago – Chile.

Nossa igreja enviou uma oferta para as necessidades emergenciais e fez os contatos necessários com sua igreja de origem para tentar uma mediação.  O Missionário BJ é uma ponta do “iceberg”.  São incontáveis os testemunhos e pedidos de socorro.  Essa situação triste se contrapõe àquelas onde a igreja ou junta enviadora segura a sua ponta da corda com bravura enquanto o missionário reune suas forças para alcançar aqueles que estão perdidos, sem esperança.  A incerteza financeira no campo missionário constitui uma grande barreira ao ministério pastoral, missionário e administrativo dos enviados.  Grande parte de seus esforços e estresse estão localizados nessa área.

Dei Gratia!

09/03/2010 Publicado por | Missões - artigos | Deixe um comentário

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